por Eduardo Coutinho Folha de São Paulo
Apesar das ineficiências típicas de qualquer monopólio, desde sua
criação em 1953, a Petrobras se desenvolveu e virou realidade. O ápice
foi alcançado em 2007 com a descoberta do pré-sal. A empresa, inclusive,
figurou em oitavo lugar entre as maiores empresas do mundo em 2011 no
ranking da revista "Forbes".
Porém, mais recentemente, a empresa se viu em uma sucessão de escândalos
descobertos pela Operação Lava-Jato. Até aqui cerca de R$51 bilhões em
prejuízos foram reconhecidos entre corrupção e má gestão. Na conta da má
gestão estão ativos que foram adquiridos a preços superiores aos de
mercado, obras com custo acima do esperado e unidades de negócio de
baixo desempenho.
Porém, os indícios de má gestão já eram detectáveis antes disso. O valor
de mercado da empresa no final do mês de março de 2014, mês em que teve
início a fase ostensiva da Operação Lava-Jato, estava 45,6% menor em
relação a novembro de 2009, momento em que a empresa atingiu maior valor
após a crise nos EUA. No mesmo período o Ibovespa caiu 24,8%.
Os problemas da empresa podem ser explicados a partir de alguns
indicadores que já mostravam a perda de dinamismo operacional entre 2000
e 2013. Nesse período, o seu imobilizado (instalações, máquinas e
equipamentos) cresceu 860%, já descontada a inflação no período.
Os investimentos no imobilizado visam ampliar as atividades da empresa
desde que, claro, aumentem o volume de vendas. Porém, as receitas
líquidas operacionais deflacionadas da Petrobrás cresceram bem menos:
170% no mesmo período.
A baixa eficiência da Petrobras também pode ser observada no Giro do
Ativo. O Giro do Ativo indica quantos Reais em Receita Operacional a
empresa obtém por cada Real investido em seu Ativo. Entre 2000 e 2013, o
melhor momento foi em 2001 com R$0,80 e de lá para cá declinou até
chegar em R$0,40 em 2013.
Isso pode ser creditado tanto à elevação dos ativos de maneira açodada,
com superfaturamento em obras e investimentos ruins, quanto no controle
de preços dos combustíveis para segurar a inflação.
Se olharmos a Margem de Ebtida temos mais um indício de que as coisas
não iam bem. O Ebtida demonstra a capacidade de geração de caixa da
empresa com suas atividades considerando Receitas e Despesas ligadas à
atividade operacional. A Margem de Ebtida é a divisão entre o Ebtida e a
Receita Operacional Líquida e, no caso da Petrobras, ela vem se
reduzindo sistematicamente desde 2000 caindo de 34% para 20,8% em 2013.
Esses dados nos mostram que os problemas da Petrobrás vão muito além dos
efeitos da Operação Lava-Jato. Para reverter essa situação a empresa
precisa atacar pelo menos três frentes: melhorar seu processo decisório a
fim de evitar a seleção adversa de investimentos e desvios de recursos,
avaliar cuidadosamente seus ativos e colocar a venda aqueles com baixo
rendimento e concentrar esforços naquilo que é foco principal do negócio
e racionalizar custos e despesas operacionais a fim de recuperar as
margens para fazer frente aos pesados compromissos financeiros
resultantes de seu elevado endividamento e para retomar sua capacidade
de investimento.
Não podemos esquecer que a empresa ainda vai enfrentar uma batalha
pesada nos próximos meses envolvendo as ações movidas junto aos órgãos
reguladores e a justiça nos Estados Unidos, que podem resultar em
severas penalidades pecuniárias envolvendo multas e indenizações a
investidores. O que agrava ainda mais as dificuldades para a recuperação
da empresa.
EDUARDO COUTINHO, 46, doutor em administração, é professor e coordenador de curso do Ibmec/MG
extraídaderota2014blogspot





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