Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Fernando Pimentel pode ser cassado por crime eleitoral

Carlos Newton


O governador mineiro Fernando Pimentel virou arroz de festa nas denúncias e investigações de corrupção. Já se sabia de seus “malfeitos” desde quando deixou a prefeitura de Belo Horizonte e abriu uma “consultoria”, que arranjou bons clientes, recebia pagamentos milionários, mas não prestava nenhum serviço. Quando surgiram as denúncias e Pimentel não conseguiu justificá-las, era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do primeiro governo Dilma Rousseff, mas a presidente não quis demiti-lo, alegando que as irregularidades haviam sido cometidas antes que ele assumisse a pasta, vejam a que ponto chega a desfaçatez dessa gente.
Depois, Dilma e o PT investiram fortemente em Pimentel para ganhar as eleições em Minas e influir na campanha presidencial.  Foi montada uma superestrutura de campanha em Minas, onde não faltou dinheiro. Como adversário era fraco, Pimentel virou favorito e ganhou logo no primeiro turno. Bafejado pela vitória, continuou em campanha e conseguiu fazer com que o segundo maior colégio eleitoral assegurasse a Dilma a vitória no segundo turno por uma diferença apertada de pouco mais de 3 milhões de votos, e só Minas Gerais garantiu 6 milhões de votos à presidente.
Mas o problema é que Pimentel é do tipo descuidado, que arma situações verdadeiramente criminosas, mas deixa o famoso rabo de palha e acaba se complicando.
NO AVIÃO DE BENÉ
Dois dias depois da eleição de Pimentel, ainda em meio às comemorações, a Polícia Federal vistoriou no aeroporto de Brasília um bimotor turboélice procedente de Belo Horizonte e encontrou 113 mil reais numa sacola. O avião era do jovem empresário Benedito de Oliveira Filho, amigo íntimo de Pimentel. Conhecido como Bené, enriquecera no primeiro governo Dilma, fechando contratos que somariam mais de 500 milhões de reais – muitos deles sem licitação e até sem prestar os serviços, no estilo de Pimentel.
Na busca da reeleição de Dilma, Bené foi colocado por Pimentel como uma espécie de gerente do comitê central da campanha presidencial do PT. Assim, ao mesmo tempo em que faturava milhões do governo, ele era o responsável por pagar as despesas do comitê, ficava tudo em casa.
A bordo do avião modelo King Air, que Bené costumava emprestar ao amigo Pimentel, a Polícia Federal encontrou documentos e arquivos digitais que possibilitariam provar que o criativo empresário continuou a ganhar milhões no governo federal e, paralelamente, a prestar auxílio financeiro aos seus companheiros petistas, em especial a Pimentel.
BANCANDO A CAMPANHA
As planilhas apreendidas mostravam que o dinheiro de Bené bancou parte da campanha de Pimentel, além de suas contas pessoais, passeios e mordomias, inclusive no período em que ele esteve no cargo de ministro no governo Dilma. A generosidade de Bené, com recursos públicos, bancava também o luxo da jornalista Carolina Oliveira, nova mulher do governador, que nem precisava desse reforço financeiro, porque Pimentel conseguira que ele fosse contratada como assessora do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, com salário de quase R$ 30 mil, sem jamais ter realmente trabalhado. Depois, montou sua empresa e faturou R$ 3,7 milhões de reais. Parte dos recursos veio de empresas beneficiárias de operações do BNDES, o que alega ter sido coincidência.
Pimentel ganhou a eleição, mas se sujou todo e deve perder o mandato por crime eleitoral. É só uma questão de tempo. As investigações da Polícia Federal prosseguem e estão agendados para esta semana os depoimentos de Carolina Oliveira e de Mauro Borges, presidente da Cemig e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ambos são investigados na Operação Acrônimo, que apura também a compra de medida provisória que favoreceu montadoras de automóveis. Vamos ver como se sairão frente a frente com o delegado federal e o representante do Ministério Público.







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