Pedro do Coutto
Vejam os leitores algumas consequências indiretas das demissões: menor arrecadação para o INSS; aumento do volume de saques no FGTS; diminuição nos níveis de consumo, acarretando menor receita tributária, desânimo na sociedade de modo geral pelo temor que todos naturalmente têm de serem os próximos atingidos; elevação dos índices de inadimplência. A lista de efeitos negativos não termina ainda neste panorama.
Gostaria da opinião dos companheiros Flávio José Bortolotto e Wagner Pires. A meu ver, se está havendo desemprego é porque, paralelamente, o mercado não está empregando os jovens que atingem a idade de trabalhar e não encontram um lugar ao sol. Claro. O desemprego representa um sintoma clássico do que podemos chamar de não- emprego. Mas a população não deixa de crescer por isso. Descontada a taxa de mortalidade (0,7%), o número de habitantes cresce à velocidade de 1% a cada doze meses.
São, assim, mais 2 milhões de pessoas por ano, e como a mão de obra ativa é composta pela metade da população, constata-se que a demanda por ingressar no marcado de trabalho, anualmente, reúne 1 milhão de homens e mulheres. Portanto, para que não haja desequilíbrio, a oferta de oportunidades deve situar-se nessa mesma escala. Não está acontecendo isso. Surge a oferta, resulta inevitavelmente a queda dos padrões salariais. Fenômeno muito grave, sobretudo neste ano de 2015, quando se projeta um recuo de 3% no Produto Interno Bruto, PIB encolhendo 3 pontos, população crescendo 1 ponto, a renda per capita diminuindo quatro degraus no edifício social do país. Como reverter o desastre? Este o desafio colocado para o governo Dilma Rousseff.
PMDB BUSCA UM CAMINHO
O PMDB, através do vice-presidente Michel Temer (reportagem de Valdo Cruz e Gustavo Uribe, FSP também do dia 30), anuncia a procura de um caminho no sentido de decifrar o enigma e o impasse, em primeiro lugar anunciando que disputará a sucessão de Dilma Rousseff com candidato próprio, em segundo lugar com uma urgente mudança no plano administrativo e no rumo econômico. A palavra urgente, neste contexto, possui um peso próprio especial, já que as eleições de 2018 não se encontram tão próximas assim. Deixa no ar uma nuvem de que a hipótese de mudança pode se encontrar na primeira esquina do processo político. Sem dúvida.
“O desajuste fiscal – diz o documento do PMDB – chegou a um ponto crítico. Sua solução será muito dura para o conjunto da população, terá que conter reformas estruturais.” Quais são essas reformas estruturais? Outra pergunta complexa. Só recorrendo ao belo poema de Vinicius de Morais: a pluma, que voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa de vento sem parar. Pergunto eu: em qual direção?
extraídadetribunadainternet





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