editorial de O Globo
Não
importa quem esteja na Fazenda, porque estará condenado a enfrentar
dificuldades com a presidente, seu antecessor, o PT e a rebeldia
interessada de partidos aliados
A trama de Lula e do PT contra o ministro da Fazenda amplia a margem de risco do fragilizado e impopular governo Dilma Rousseff.
Especula-se sobre os reais objetivos do ex-presidente. Lula saiu do
governo há cinco anos, mas insiste no papel de ex-presidente
insatisfeito com a perda de poder. Desde o ano passado, nos primórdios
da campanha de reeleição, ele manobra para indicar os responsáveis pela
condução da política econômica.
Desde a chegada ao Planalto, ao contrário do antecessor, ela nunca delegou a condução da política econômica.
Dilma recebeu, em 2011, uma economia subterraneamente corroída nos
fundamentos, mas encoberta por uma dinâmica de múltiplos incentivos ao
consumo, orçamento generoso na partilha de recursos do Tesouro e uma
extraordinária carteira de investimentos subsidiados pelo Estado — da
fabricação de automóveis ao projeto de construção, simultânea, de cinco
refinarias de petróleo, entre outros.
Seu governo, a partir de suas decisões, potencializou a herança
deficitária. A crise fiscal que explodiu no bolso de 200 milhões de
brasileiros foi fabricada por Lula e potencializada por Dilma nos
últimos cinco anos.
Evento insólito, revelador da centralização imposta por Dilma à condução
da economia, foi o anúncio antecipado da demissão do ministro da
Fazenda em plena campanha, no ano passado. O economista Guido Mantega
passou o último quadrimestre de 2014 ocupando a cadeira ministerial — e
apenas isso.
Dilma rebarbou Lula ao optar por Joaquim Levy. Comandou a construção de
uma proposta de um necessário ajuste fiscal mas, diante das críticas do
PT insuflado por Lula, deixou o ministro da Fazenda exposto, diante de
um Congresso onde a maioria dos aliados disputa influência sobre o
Orçamento e o crédito público.
O movimento de Lula e do PT para derrubar o ministro da Fazenda não
reflete nada além da luta capitaneada por um ex-presidente contra a
própria aposentadoria e pelo papel de tutor da sucessora. Contribui,
sim, para ampliar a confusão no atual cenário político e econômico, já
bastante desordenado. Hoje não importa quem esteja na Fazenda, porque
estará condenado a enfrentar dificuldades com a presidente, seu
antecessor, o PT, e a rebeldia interessada de partidos aliados no
Congresso.
A conspirata conduzida por Lula só tem um resultado previsível: mais e maiores prejuízos ao país.
extraidaderota2014blogspot




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