Pedro do Coutto
O artigo de Bernardo Mello Franco, Folha de São Paulo e a reportagem de Ramona Ordonez, Bruno Rosa, Marta Beck e Simone Iglesias, no Globo, edições de quinta-feira, conduzem inevitavelmente à sensação de que a presidente Dilma Rousseff distanciou-se da realidade política e administrativa do país. Efeito, a meu ver, do vendaval de isolamento e solidão. E fez com que ela passasse da ofensiva à defensiva. Além disso, reduziu o entusiasmo com que, sem discutir o mérito e conteúdo de suas iniciativas, marcou o desempenho na campanha eleitoral e na alvorada do segundo ciclo de seu governo. Do amanhecer, passou ao entardecer, fenômeno que espanta principalmente porque ocorrido num espaço de pouco mais de trinta dias.
Bernardo Mello Franco focaliza as contradições de Mangabeira Unger e por isso mesmo critica sua nomeação para uma espécie de Ministério de Assuntos Estratégicos, cargo aliás que exerceu no segundo governo de Lula, de 2007 a 2009, depois de haver proposto, em 2005, em artigo na mesma FSP, o impeachment do presidente em seu primeiro mandato. Afinal, pergunto eu, o que são ações estratégicas? Suponho que sejam todas as iniciativas de um governo, até em decorrência a partir de um conjunto de ideias e projetos voltados para os interesses legítimos do país e de sua população.
A Petrobras, por exemplo, é uma base estratégica para o desempenho da economia nacional, com fortíssimo reflexo no plano autêntico da política. A nova diretoria, sobretudo, terá que desenvolver notável esforço para, pelo menos parcialmente, retirá-la das páginas policiais, transferindo-a para o palco administrativo. Esta será sem dúvida, uma ação acentuadamente estratégica. Não creio ser provável que diga respeito ao chefe da Secretaria de Ações Estratégicas.
DIFERENÇA ESSENCIAL
Inicialmente a presidente da República desejava que Graça Foster permanecesse mais uma ou duas semanas no cargo, mas esqueceu que o posto possui características diversas das que marcam os postos típicos do Serviço Público, como aconteceu com Guido Mantega. Os repórteres Alexandre Rodrigues e Glauce Cavalcanti, também no Globo de 5, esclareceram a diferença essencial.
A Petrobras é uma empresa de capital aberto, portanto com presença nos mercados de ações, e que integra um outro universo da administração federal. Pois a permanência em comando daqueles que se encontravam demitidos na prática poderia gerar as piores consequências, entre elas especulações na Bovespa e até na Bolsa de Nova Iorque, a exemplo do que já sucedeu.
Caberá a Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil , e agora novo presidente da estatal Petrobras, constituir sua diretoria, o que, se de um lado amplia seu poder de decisão, de outro aumenta-lhe substancialmente a responsabilidade, uma vez que não se poderá atribuir a hipótese de um improvável insucesso a uma constelação de interesses políticos e partidários.
COMPARAÇÃO
Se digo que o insucesso da nova administração é improvável – apesar de ser administrada por um bancário – é consequência da comparação que vier a ser feita entre a que assume e aquelas que conduziram a Petrobras ao mergulho num oceano de corrupção sem paralelo na história do Brasil. Tanto assim que os ladrões de todos os lados nela envolvidos causaram prejuízos os quais se elevam a escalas de bilhões de dólares.
Diante de tal realidade, hoje reconhecida por todos, é, na minha opinião, impossível verificar-se qualquer resultado negativo daqui para frente. Roubou-se demais na empresa. O tempo passou na janela e só a diretoria não viu.
fonte tribunadainternet





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