Carlos Newton
Deputados da oposição já conseguiram as assinaturas para criar a nova Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, que desta vez vai causar uma confusão colossal, pois é apoiada pelo novo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em seguida, vão buscar assinaturas para outras três CPIs, destinadas a apurar corrupção também nos fundos de pensão, no BNDES e no setor elétrico, com destaque para a Eletrobras.
Depois de três governos seguidos do PT, as CPIs perderam o antigo prestígio, mas continuam a ser muito importantes, porque tudo depende da indicação do relator. Ao contrário do que se pensa, não é o presidente da CPI que comanda o espetáculo, mas sim o relator. E para animar quem passou a achar que as CPIs são inúteis e não levam a nada, basta lembrar o desempenho de uma delas, no governo Sarney, a CPI Atos de Corrupção, presidida pelo deputado João Cunha (PMDB-SP). Por causa do resultado desta CPI, o Instituto do Açúcar e do Álcool, um dos maiores antros de corrupção do governo federal, foi extinto pelo presidente Collor em 1990, poucos meses depois de assumir.
Entre as três pretendidas comissões que a oposição busca convocar, a mais importante seria a CPI dos Fundos de Pensão, setor que representa uma gigantesca caixa preta de corrupção, só comparável ao macroesquema da Petrobras. As irregularidades nos fundos de pensão são ainda mais perversas, porque o dinheiro que está sendo desviado sai de planos de aposentadoria e pensão, que resultam das contribuições mensais das empresas estatais e de seus funcionários. E como a Polícia Federal está ocupada demais com o escândalo da Petrobras e suas verbas sofreram cortes pelo governo Dilma Rousseff, a CPI poderia avançar bastante as investigações sobre os fundos de pensão.
Mas os parlamentares oposicionistas têm de apressar a coleta de assinaturas, porque o Regimento da Câmara só permite o funcionamento de cinco CPIs simultâneas, já foram pedidas três comissões e o PT está atropelando por fora com pedidos genéricos de CPI para discriminação dos negros e para o crescimento da violência.
PARAÍSO DOS SINDICALISTAS
A situação dos fundos de pensão é muito grave. Desde 2003 foram transformados no paraíso dos sindicalistas do PT. Praticamente todos os seus dirigentes são ligados ao PT e operam confiantes na impunidade. Vejam o que diz a reportagem de Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto, publicada em O Globo:
“O currículo de alguns gestores dos fundos de pensão alimenta as denúncias de aparelhamento. Vários já passaram por outras fundações com indicações políticas ou de sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Desde o início do governo Lula, em 2003, ex-integrantes do Sindicato dos Bancários de São Paulo dominam os principais fundos: Previ, Petros, Funcef e Postalis. João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, é originário desse grupo, assim como Wagner Pinheiro, ex-presidente da Petros e atual presidente dos Correios, que indicou o presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista. Este, por sua vez, já foi gestor da Petros e da Fundação Geap (de servidores federais)”.
SÓ HÁ UMA EXCEÇÃO
Já revelamos aqui na Tribuna da Internet que só existe uma exceção – o Fundo de Aposentadoria e Pensão do BNDES (Fapes), que ficou intocado no primeiro governo Lula. Na época, os funcionários se uniram e conseguiram impedir que o jornalista Marcelo Sereno, preposto de José Dirceu, assumisse o controle da instituição previdenciária.
Nos outros fundos, a situação é desesperadora e as denúncias se multiplicam há anos, mas a agência reguladora Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), também dominada pelo PT, nada faz para coibir as irregularidades. E para abafar as constantes acusações das entidades representativas dos empregados das estatais, o PT conseguiu controlar também a estratégica Associação dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar), presidida por Cláudia Ricaldoni, uma militante que defende ardorosamente os interesses do partido e vive a elogiar a agência reguladora.
“A Previc tem tomado bastante cuidado com todas as denúncias. Não concordo com os que acham que o órgão é lento e irregular em suas fiscalizações”, alega a dirigente da Anapar, omitindo-se de sua obrigação de defender os interesses dos segurados.
E a própria agência reguladora, quando procurada pela imprensa, justifica sua omissão nos seguintes termos: “Como autarquia de supervisão, a Previc não trata publicamente de situações específicas, em face da necessária preservação de fatos e dados”. Se alguém conseguir explicar o que a Previc está tentando dizer com essa frase, por favor nos oriente, porque a justificativa foi feita naquele linguajar estranhíssimo que a presidente Dilma Rousseff costuma usar e está se disseminando pelo resto do governo.
fonte tribunadainternet





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