Jornalista Andrade Junior

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Apagão do governo

Sebastião Nery


Major Irineu de Princesa Isabel, na Paraíba, rico, pão duro e ateu, não dava um tostão para a igreja. A mulher pedia, o padre pedia, nada. Uma noite chegaram aflitos dois empregados:
– Coronel, o açude está subindo. A água já está no respaldo.
Major Irineu começou a andar de um lado para outro. Água no respaldo era açude em perigo. E se o açude rompesse, a fazenda estava inundada. A mulher pedia:
– Velho, vá ao Santuário, leve o óbolo e faça uma promessa. Precisamos salvar o açude.
E ele andando. E novos emissários chegando. E a água já em cima. Major Irineu entrou no quarto, abriu o nicho, pegou as imagens dos santos, enrolou todos em um cobertor, selou o cavalo, montou, tocou para o açude. Na barragem, de metro em metro pôs um santo:
– Rapaziada, vocês mesmos é que sabem aonde querem ir.
A água baixou.
DILMA
Dilma nem santo tem para pendurar no açude. É o maior desastre de governo que já se viu no pais. Os generais ditadores eram impostos, enfiados garganta abaixo da Nação. Mas Dilma nem esta desculpa tem: foi eleita pelo povo. Na base da mais sórdida violência oficial e da mais deslavada corrupção, mas foi votada, escolhida. Ganhou.
Agora, já indisfarçadamente arrependido, o povo chia, se queixa, reclama. É tarde. Golpe não. A não ser uma CPI e um “impeachment” bem alicerçados na Constituição (e o “petrolão” já dá razões de sobra para isso), temos que esperar 2018. Democracia é assim: ensina até no meio do lodo.
A imprensa é e tem que ser a foto do abismo de um pais falido: crescimento zero, inflação já mais de 7, juros mais de 12, indústria demitindo de norte a sul, inclusive o protegido automobilismo, dívida publica de 2 trilhões e 300 bilhões, rombo de 32 bilhões, maior da historia.
Apagão de luz, apagão de água, apagão da saúde, apagão da educação, mas desgraça mesmo é o apagão de Governo. É Dilma Roscofe.
O PISTOLEIRO
Um livro exemplar e oportuno: ““João Santana: Um Marqueteiro no Poder””, de Luiz Maklouf (Editora Record). É o retrato não de um coronel, mas de um pistoleiro. No Colégio da Bahia, em Salvador, Santana era chamado de “Tio Patinhas” : doido por dinheiro. Continuou e piorou.
No Globo de 23 de janeiro está ele lá, ao lado da Dilma, com seus olhos fluidos, agredindo desrespeitosamente Duda Mendonça, seu ex-sócio:
– “O Duda é a bicha mais invejosa que tem”. E mais -“O pensamento de que quem bate perde eleição é falso. Perde é quem não sabe bater. A política é ao mesmo tempo a sublimação e o exercício da violência”.
Não é um marqueteiro, é um pistoleiro.



FONTE TRIBUNADAINTERNET

0 comments:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More