editorial de O Globo
O depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco colocou o foco em propinas doadas de forma ‘legal’ ao partido, uma diferença desse caso em relação ao mensalão
O PT já viveu momentos mais festivos do que nestes 35 anos de
existência, comemorados ontem em Belo Horizonte. Pois, além de todo o
desgaste causado no partido por mais um escândalo, o do petrolão, o
tesoureiro da legenda, João Vaccari Neto, um dos investigados no caso,
foi levado, na quarta-feira, por policiais federais a depor. A cena de
agentes pulando o portão da casa do petista, que resistia a ir à PF,
reflete bem a situação em que se encontra o PT, nos seus 12 anos de
Planalto.
O baque começou na quarta, com a revelação de que, no depoimento
prestado em regime de delação premiada, o ex-gerente da Petrobras Pedro
Barusco afirmou que o partido, em dez anos, de 2003 a 2013, recebeu, em
propinas garimpadas na estatal, entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões,
cifras majestosas em qualquer lugar. E desses, US$ 50 milhões teriam
sido coletados por Vaccari. O testemunho de Barusco levou à convocação
do tesoureiro.
Do inventário das piores situações passadas pelo PT desde a chegada de
Lula ao Planalto, em 2003, constará esse depoimento de Barusco, ao lado
de um outro, prestado em 2005 na CPI dos Correios, pelo marqueteiro da
campanha de Lula, Duda Mendonça, em que ele afirmou ter recebido
pagamento do partido em paraíso fiscal no exterior. Era a prova de que o
PT já se lançara a traficâncias financeiras ilegais em dólares.
O petrolão, por sua vez, mostra-se um caso bem mais robusto que aquele, o
mensalão. A diferença mais evidente está no volume de dinheiro
surrupiado dos cofres públicos. Estima-se que o mensalão desviou algo
como R$ 150 milhões, enquanto no petrolão o Ministério Público
contabilizou até agora mais de R$ 2 bilhões.
Outra diferença é que enquanto no primeiro o objetivo era comprar
literalmente parlamentares e irrigar alguns partidos aliados, o assalto à
Petrobras, além disso, abasteceu, tudo indica com muito dinheiro, os
cofres do próprio PT. Há depoimentos sobre a conversão de propinas pagas
por empreiteiras em doações ao partido.
O PT se defende com o argumento de que foram doações “legais”. Sim, mas
com dinheiro ilegal. Trata-se, à primeira vista, de uma forma engenhosa
de lavagem por meio de doações registradas na Justiça eleitoral. Nesse
caso, os recursos precisariam ser devolvidos à Petrobras. Como os
denunciados, pelas regras da delação premiada, precisam provar o que
dizem, há grande expectativa sobre como tudo isso será comprovado.
Barusco, nos testemunhos, ampliou o papel na rapina do ex-diretor Renato
Duque, indicado pelo PT/José Dirceu, e reforçou o entendimento de que
propinas se tornaram parte do cotidiano na estatal. Não que o
lulopetismo tenha inventado a corrupção na estatal. O próprio Barusco
confessa ter cobrado “por fora" durante o governo FH. Mas sem dúvida o
PT criou um esquema amplo de corrupção na empresa, algo jamais visto na
história do país. Por tudo isso, há mesmo poucos motivos para alegria
nas hostes petistas.
fonte rota2014





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