Fernando Rodrigues - UOL
Nunca um eleito chegou a 44% de “ruim/péssimo” tão cedo
Popularidade em baixa fragiliza petista em meio ao petrolão
A pesquisa Datafolha realizada nos dias 3 a 5.fev.2015 tem uma verdade
muito incômoda para a presidente Dilma Rousseff: nunca um eleito teve
uma rejeição tão alta em tão pouco tempo como ela durante a atual fase
democrática do país.
Este Blog tem e montou a seguinte tabela para ficar mais claro o tamanho do problema enfrentado pela petista:
No início de 1999, bem no começo do segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, houve uma grave crise econômica.
FHC teve de fazer uma desvalorização brutal no real logo depois de sua
segunda posse. O Brasil passou por uma profunda crise econômica –para os
petistas, o país estava falido. Mas o tucano era rejeitado então por
36%. A taxa dos que repudiam o governo Dilma hoje é de 44%.
Quando se observam as outras taxas da pesquisa Datafolha, Dilma apenas
empata tecnicamente com FHC entre os que acham o governo bom ou ótimo
–comparando o resultado de hoje com o do início do segundo mandato do
tucano. A petista tem 23% de aprovação contra 21% do tucano em fevereiro
de 1999.
Há, entretanto, uma diferença relevante. Os eleitores em 1999 pareciam
um pouco mais condescendentes com FHC, pois ele tinha menos rejeição
(apesar da crise econômica). Naquela época, havia também mais pessoas
estacionadas no grupo que considerava a administração tucana regular
–39% contra os 33% atuais de Dilma.
O contraste básico entre a petista e todos os seus antecessores em
início de mandato (na atual fase democrática do país) é que a conjuntura
atual mistura dificuldades econômicas com uma crise de aspecto
político, com as acusações de corrupção se avolumando no caso conhecido
como petrolão.
É óbvio que o país sempre teve crises políticas. Itamar Franco assumiu o
Planalto depois de Fernando Collor ter sido afastado num processo de
impeachment. O problema (para o governo) é que desta vez a disrupção na
política atinge diretamente o partido da presidente (o PT). Pior: muitos
eleitores acham que Dilma tinha conhecimento do que estava se passando.
Segundo o Datafolha, 86% dos brasileiros tomaram conhecimento dos casos
de prisões de pessoas acusadas de corrupção na Petrobras. Para 52%,
Dilma Rousseff “sabia e deixou que ocorresse” a corrupção na estatal (no
final deste post, esses números estão listados em uma tabela).
Uma curiosidade: o percentual dos que acham que a presidente da
República sabia do que se passava na Petrobras (52%) é quase idêntico ao
que ela obteve de votos válidos (51,64%) para se reeleger em 2014. O adversário da petista era o tucano Aécio Neves, que teve 48,36%.
Só 3,4 milhões de votos separaram PT e PSDB na eleição presidencial de
2014. Foi a menor diferença em um 2º turno desde a redemocratização do
Brasil.
E AGORA?
Qual a consequência disso tudo? Para Dilma representa uma fragilidade grande no momento em que precisa de uma parte da opinião pública para ajudá-la a atravessar o deserto que será 2015.
Qual a consequência disso tudo? Para Dilma representa uma fragilidade grande no momento em que precisa de uma parte da opinião pública para ajudá-la a atravessar o deserto que será 2015.
No Congresso, será necessário apoio de deputados e de senadores para aprovar medidas amargas na área econômica.
Também será necessário ter muita força política no Congresso para barrar
tentativas de paralisar o governo, com eventuais pedidos de impeachment
–já ventilados abertamente pela oposição.
fonte rota2014





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