Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor -
A substituição de Graça Foster na presidência da Petrobrás não
resolve o problema da empresa. Todos estão dizendo isso. O que querem é
uma mudança em substância na gestão da estatal, que faça o governo se
distanciar dela, deixando que se comporte em plenitude como empresa.
Assim poderá se livrar de manipulações e desvios políticos, que tanto
males lhe causaram e continuam a causar (a Operação Lava-Jato ainda não
chegou aos políticos).
Relutante, o governo parece concordar com essa posição. Estaria
buscando no “mercado” um nome capaz de restabelecer relações harmônicas
entre a Petrobrás e o mesmo mercado. O perigo é privatizar a
administração da Petrobrás. O passo seguinte pode ser privatizar a
estatal do petróleo.
Por que só procurar alternativas no mítico e milagroso mercado? O
setor público pode fornecer quadros competentes se as regras forem
outras. Diz-se que Foster caiu porque seu último ato, já de sucumbência,
foi admitir que 31 dos ativos da Petrobrás tinham sobrevalorização de
mais de 88 milhões de reais na sua contabilização.
Irritada pela revelação desses números, a presidente Dilma Rousseff
chamou sua amiga ao Palácio do Planalto e puxou suas orelhas. Deve ter
exagerado na dose porque, ao retornar, Foster antecipou seu afastamento,
previsto para março, com pedido de demissão, na companhia dos demais
diretores.
Ao seu estilo imperioso e mercurial, a presidente teria contestado o
valor da perda pela reavaliação do ativo. O trabalho foi realizado pela
PriceWaterhouse, uma das maiores auditoras do mundo (e referendada por
outra empresa, cujo nome não foi relevado).
Ao que parece, a PwC está em condições de auditar integralmente o
balanço, inclusive o anual. Só que fará esse serviço introduzindo
restrições. A prestação de contas só poderá ser aprovada regularmente se
fizer as ressalvas do auditor independente. É o que o governo não
aceita. E é sua interferência indébita e negativa no processo. A
realidade será desgastante, mas é “menos pior” do que a fantasia onerosa
de hoje.
Enquanto isso não estiver bem esclarecido, através da divulgação de
todas as informações indispensáveis a uma avaliação técnica da situação
atual da Petrobrás, tudo mais será a cereja do bolo, que continuará
ruim, travoso ou podre.
fonte tribunadaimprensaonline





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