Jornalista Andrade Junior

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A CEREJA E O BOLO

Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor - 


A substituição de Graça Foster na presidência da Petrobrás não resolve o problema da empresa. Todos estão dizendo isso. O que querem é uma mudança em substância na gestão da estatal, que faça o governo se distanciar dela, deixando que se comporte em plenitude como empresa. Assim poderá se livrar de manipulações e desvios políticos, que tanto males lhe causaram e continuam a causar (a Operação Lava-Jato ainda não chegou aos políticos).
Relutante, o governo parece concordar com essa posição. Estaria buscando no “mercado” um nome capaz de restabelecer relações harmônicas entre a Petrobrás e o mesmo mercado. O perigo é privatizar a administração da Petrobrás. O passo seguinte pode ser privatizar a estatal do petróleo.
Por que só procurar alternativas no mítico e milagroso mercado? O setor público pode fornecer quadros competentes se as regras forem outras. Diz-se que Foster caiu porque seu último ato, já de sucumbência, foi admitir que 31 dos ativos da Petrobrás tinham sobrevalorização de mais de 88 milhões de reais na sua contabilização.
Irritada pela revelação desses números, a presidente Dilma Rousseff chamou sua amiga ao Palácio do Planalto e puxou suas orelhas. Deve ter exagerado na dose porque, ao retornar, Foster antecipou seu afastamento, previsto para março, com pedido de demissão, na companhia dos demais diretores.
Ao seu estilo imperioso e mercurial, a presidente teria contestado o valor da perda pela reavaliação do ativo. O trabalho foi realizado pela PriceWaterhouse, uma das maiores auditoras do mundo (e referendada por outra empresa, cujo nome não foi relevado).
Ao que parece, a PwC está em condições de auditar integralmente o balanço, inclusive o anual. Só que fará esse serviço introduzindo restrições. A prestação de contas só poderá ser aprovada regularmente se fizer as ressalvas do auditor independente. É o que o governo não aceita. E é sua interferência indébita e negativa no processo. A realidade será desgastante, mas é “menos pior” do que a fantasia onerosa de hoje.
Enquanto isso não estiver bem esclarecido, através da divulgação de todas as informações indispensáveis a uma avaliação técnica da situação atual da Petrobrás, tudo mais será a cereja do bolo, que continuará ruim, travoso  ou podre.
fonte tribunadaimprensaonline

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