Por RICARDO KOTSCHO - Via blog do autor
O que já está ruim sempre pode piorar. A Petrobras e o país amanheceram de pernas para o ar nesta quinta-feira.
Ao mesmo tempo em que a Petrobras ficava sem diretoria, após a
renúncia coletiva da véspera, e sem ninguém saber o que será feito dela
amanhã, a Polícia Federal está fazendo neste momento, nove da manhã, uma
nova operação em quatro Estados, com mandados contra mais de 60
investigados na Lava-Jato, entre eles o tesoureiro do PT, João Vaccari
Neto.
Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder
muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment
da presidente da República, que continua recolhida e calada em seus
palácios, sem mostrar qualquer reação.
O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição.
A presidente teve todo o tempo do mundo para pensar em soluções para a
Petrobras, desde que esta grande crise estourou no ano passado, mas só
se dedicou à campanha pela reeleição e à montagem do seu novo
ministério. Agora, tem apenas 24 horas para encontrar uma saída, antes
da reunião do Conselho de Administração, que precisa nomear a nova
diretoria amanhã para não deixar a empresa acéfala.
Pois não é que, em meio aos enormes desafios que seu governo enfrenta
em todas as áreas da vida nacional, apenas 36 dias após o início no
segundo mandato, Dilma encontrou tempo para promover a primeira mudança
em seu ministério trazendo de volta o inacreditável Mangabeira Unger,
folclórico ideólogo que queria construir aquedutos para transportar água
da Amazônia para o sertão do nordeste, como lembrou Bernardo Mello
Franco?
Isolada, atônita, encurralada, sem rumo e sem base parlamentar sólida
nem apoio social, contestada até dentro do seu próprio partido, como
estará se sentindo neste momento a cidadã Dilma Rousseff, que faz apenas
três meses foi reeleita presidente por mais quatro anos?
Ou, o que seria ainda mais grave, será que ela ainda não se deu conta do tamanho da encrenca em que se meteu?
É duro e triste ter que escrever isso sobre um governo que ajudei a
eleger com meu voto, mas é a realidade. É preciso que Dilma caia nesta
realidade e mude radicalmente sua forma de governar, buscando e não
arrostando apoios, ouvindo pessoas fora do seu núcleo palaciano, como
prometeu no discurso da vitória, antes que seja tarde demais.
Por um desses achaques do destino, foi marcada para amanhã, em Belo
Horizonte, a abertura das comemorações dos 35 anos da fundação do PT, um
partido que vi nascer e que vive hoje a pior crise da sua história, 12
anos depois de ter chegado ao poder central.
Está previsto um encontro reservado do ex-presidente Lula com a
presidente Dilma. Cada vez mais distantes nos últimos meses, o que um
terá para falar ao outro? Pode ser que a conversa comece com esta
pergunta, que todos os petistas estão se fazendo: "Pois é, chegamos até
aqui. E agora, camarada?"
FONTE ATRIBUNADAIMPRENSAONLINE





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