Luiz Fernando Vianna FOLHA DE SÃO PAULO
A Petrobras perdeu diretoria e muito dinheiro. O governo federal
desmorona. Governantes estaduais e municipais estão com um olho na falta
de água e outro na Lava Jato --ambos os olhos quase fechados de tanto
medo. O Congresso virou um navio de piratas orgulhosos de sua podridão.
Como diria Agamenon Mendes Pedreira, jornalista inventado pelo Casseta
& Planeta, até aí tudo bem.
O mais doloroso é a inexistência de ofertas (e de interesse?) de saídas
políticas, no sentido maior do adjetivo, não no dado pelo PMDB e pelos
PQPs que o seguem.
Nas últimas duas décadas, o PT e o PSDB, apesar de tropeços, foram as
legendas que mantiveram a política institucional num nível um pouco
acima do volume morto. E agora?
O PT parece aquele cachorro que, depois de anos fazendo cocô atrás da
cortina, espanta-se por ter sido descoberto. Está com o rabo sujo entre
as pernas e sem coragem de botar o focinho na rua, seja para o que for:
pedir desculpas, defender conquistas, propor metas de governo e de ação
política mais limpas e concretas, assumir-se como um ator que não tem o
direito de se esconder.
A revolta do maior líder do PSDB se resume a deixar crescer a barba e
dizer que as denúncias de corrupção são "estarrecedoras". À penúria
estética e estilística se somam os flertes do partido com o golpismo.
Não custa lembrar a Aécio Neves que, quando Carlos Lacerda tentou
enxotar Getúlio Vargas, era do lado da legalidade que estava seu avô
Tancredo Neves.
Ficaram, governo e oposição, reféns de Eduardo Cunha. O primeiro, por
covardia e burrice; a segunda, por oportunismo. Entregaram o ouro ao
bandido.
Sobramos nós, população, divididos, perplexos, receosos, sem saber por
onde retomar o fio das manifestações de 2013. Mas não será dos gabinetes
que virá uma saída.
FONTE ROTA2014





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