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12:30
ANDRADEJRJOR
DORA KRAMER O ESTADO DE SÃO PAULO

De Itamar Franco
dizia-se que era um presidente da República mercurial: tomava decisões
de acordo com o que lhe aconselhava o temperamento. A sorte para o país é
que sabia ouvir. Em momento crucial, soube escolher e ceder a um
conselheiro mais ponderado para permitir o início de um processo que
levou o Brasil ao prumo.
O mesmo já não se pode dizer da
presidente Dilma Rousseff que, exibindo característica semelhante de
alterações abruptas de humor, não abre mão do uso da irritação pessoal
como critério para tomada de decisões. Trata-se de uma temperamental
convicta. E inflexível ao limite da insensatez.
Exemplos do
método confuso, desprovido de lógica, errático e não raro de resultados
desvantajosos para o governo não faltam. Foram vários ao longo dos
últimos anos. Vamos, no entanto, nos ater aos dois últimos, começando
pelo mais recente, o comentado afastamento de Graça Foster da
presidência da Petrobras.
Ninguém discorda, aliás, era quase
unanimidade que a atual diretoria da empresa havia perdido há muito as
condições objetivas e subjetivas para seguir no comando. A
Procuradoria-Geral da República havia aconselhado o afastamento coletivo
e a própria Graça Foster, como é de conhecimento geral, pedido à
presidente diversas vezes para sair.
Dilma negou, manifestando
sempre total confiança na lisura da executiva e amiga. Portanto,
imagina-se que a presidente queria evitar que a demissão fosse
interpretada como suspeição do envolvimento (por ação ou omissão) de
Graça no esquema de corrupção da Petrobras. Uma escolha desgastante, mas
uma escolha.
Agora circula no governo a notícia de que Dilma
Rousseff mudou de ideia. Por quê? Como é de praxe, ninguém no Palácio do
Planalto se sente na obrigação de dar uma explicação clara. Nega-se no
oficial e no paralelo prosperam as versões. Fica a suposição de que o
motivo seja a dita “irritação” da presidente com a divulgação do balanço
(não auditado) da companhia onde se revelava a perda de R$ 88,6 bilhões
em ativos.
Segundo consta, Dilma considerou os números
“descabidos”, “mal calculados” e, por isso, não deveriam ser dados a
conhecer. De onde, talvez, a decisão de substituir Graça Foster. Algumas
coisas não combinam nessa história: se houve erro de cálculo, não seria
o caso de corrigir e divulgar o número correto? Quem deu o respaldo
para a divulgação? Ou não houve respaldo? Se não houve, ocorreu evidente
descontrole de informação e, por consequência, de administração, de
governança.
Resta ainda a hipótese de o balanço ter sido mero
pretexto para justificar uma decisão que já se desenhava óbvia até pela
própria atingida, mas que a presidente insistia em não tomar sabe-se lá
qual a razão. Teimosia? Dificuldade de perceber as circunstâncias, de
reconhecer equívocos?
Se o plano era para demitir a presidente da
Petrobras, não se justifica a demora. Politicamente, o que Dilma ganhou
foi ver a oposição e o PMDB ontem comemorando por interpretarem o
desfecho como derrota dela, considerando o aval anterior à permanência
da amiga.
Para efeito do escândalo em si, a saída de Graça não
muda nada, pois os desdobramentos dependem da Justiça. Há como
demonstrado pela reação do mercado, imediatos de percepção para a
empresa, embora não se saiba ainda o que vem pela frente. Isso inclui o
decorrer das investigações e o processo de escolha da troca de comando
da Petrobras. Este não afastado do risco de ser conduzido sob o signo de
mercúrio.
Aqui volto ao segundo dos dois exemplos recentes,
citados no início, do critério de irritação aplicado pela presidente a
decisões de governo: a derrota para Eduardo Cunha na Câmara. Obra de sua
“irritação” com o deputado que virou presidente.
FONTE AVARANDABLOGSPOT
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