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12:28
ANDRADEJRJOR
MERVAL PEREIRA O GLOBO

Diante dos detalhes que
diariamente vêm sendo divulgados do que se passou nos bastidores da
Petrobras nos anos petistas, especialmente nas gestões de José Eduardo
Dutra e Sérgio Gabrielli, de espantar é que ainda permaneçam soltos
alguns dos principais responsáveis pelos desvios, e em seus postos os
atuais diretores da estatal, que não dão conta de superar os menores
obstáculos, como publicar o balanço da companhia minimamente confiável.
A
simples notícia de que a presidente Graça Foster poderia ser
substituída já elevou em cerca de 15% o valor das ações, numa
demonstração de que o mercado anseia por uma decisão que dê início à
recuperação da estatal, paralisada em meio ao mar de denúncias.
A
tese levantada pelo jurista Ives Gandra Martins de que o impeachment da
presidente Dilma pode ser pedido por improbidade administrativa com
base na sua culpa, por negligência ou irresponsabilidade, quando
presidente do Conselho de Administração da Petrobras, gera um debate
político que bota para girar a roda da História.
"Quando, na
administração pública, o agente público permite que toda a espécie de
falcatruas sejam realizadas sob sua supervisão ou falta de supervisão,
caracterizam-se a atuação negligente e a improbidade administrativa por
culpa. Quem é pago pelo cidadão para bem gerir a coisa pública e permite
seja dilapidada por atos criminosos é claramente negligente e deve
responder por esses atos", afirma o jurista.
O novo presidente da
Câmara, Eduardo Cunha, já aproveitou a oportunidade para demonstrar que
é bom político, e, em vez de confirmar que está lá para perseguir
Dilma, deu sua opinião de responsável por eventual encaminhamento do
processo: acha indevido que problemas ocorridos no mandato anterior
sirvam de pretexto para impedimento em novo mandato.
É uma tese
que tem muitos adeptos no meio jurídico, mas encontra também
contestações e exemplos históricos, como o do impeachment de Richard
Nixon nos Estados Unidos, com base em fatos que começaram em seu
primeiro mandato e prosseguiram com sua reeleição. O mesmo Ives Gandra
comenta que a manutenção da atual diretoria da Petrobras caracteriza, na
sua visão, "um crime continuado" por parte de Dilma "quer como
presidente do Conselho da Petrobras, representando a União, principal
acionista da maior sociedade de economia mista do Brasil, quer como
presidente da República, ao quedar-se inerte e manter os mesmos
administradores da empresa".
O interessante é lembrar que Ives
Gandra Martins, um dos grandes juristas da atualidade, é acusado por
petistas e simpatizantes por defender o impeachment, como se estivesse
dando base legal para um golpe - mas, quando meses atrás escreveu artigo
dizendo que o ex-ministro José Dirceu foi condenado sem que houvesse
prova contra ele, foi muito aplaudido pelos mesmos que o criticam agora.
A
questão administrativa da Petrobras é de uma complexidade gigantesca, e
erros estratégicos certamente foram cometidos por ineficiência, mas na
raiz de todos os erros está a ação política. As decisões erradas na
estatal - reconhecida como de alto valor estratégico não apenas por suas
reservas de petróleo, mas principalmente por seu know-how tecnológico e
pela expertise de seus técnicos - que geraram muitos dos R$ 88 bilhões
registrados como perdas, mas não contabilizados no balanço da empresa
por pressão do Planalto, foram tomadas por questões políticas, e aí está
o cerne da questão.
Augusto Ribeiro Mendonça Neto, proprietário
do grupo Toyo Setal, confirmou em audiência na 13ª Vara Federal de
Curitiba, na segunda-feira, que o então diretor da área de Engenharia e
Serviços da Petrobras, Renato Duque, mandou pagar parte da propina
negociada nos contratos fechados com a Petrobras em forma de doação
oficial ao PT, e entregou à Polícia Federal depósitos realizados ao PT
no valor de R$ 4,26 milhões.
Ele confirmou que o pagamento de
propina nos contratos era a "regra do jogo" na Petrobras. É evidente que
dois ou três diretores que estivessem fazendo esse tipo de delinquência
sem o conhecimento de seus superiores seriam logo descobertos. Se "a
regra do jogo" não fosse definida acima de suas responsabilidades, eles
não teriam ficado em campo durante tanto tempo.
FONTE AVARANDABLOGSPOT
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