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09:35
ANDRADEJRJOR
CLÓVIS ROSSI folha de são paulo

Neste início de fevereiro, três ruínas combinaram de se encontrar em um país chamado Brasil
Sejamos absolutamente francos: o Brasil é uma ruína (ou, na melhor das hipóteses, está uma ruína).
Um
país na iminência do racionamento de água e de energia elétrica
encontra-se em estado falimentar. Mas, se fosse apenas uma crise hídrica
e/ou energética, ainda dava para acreditar que Deus, tido como cidadão
brasileiro, daria um jeito, mandando chuva suficiente para abastecer os
reservatórios.
Acontece que a ruína é também moral/ética, econômica, social, política, de ideias, de tudo, a rigor.
Para
não voltar muito ao passado, examinemos rapidamente o cenário
econômico, tal como lembrado por Delfim Netto, na sua coluna desta
quarta-feira (4), na Folha.
"Não é possível ignorar que em 2014,
quando a única preocupação do governo foi a sua vitória numa intensa e
cruel campanha eleitoral, as consequências foram muito ruins: deficit
primário de 0,6% do PIB; deficit fiscal total de 6,7% do PIB; gasto com
juros para o pagamento da dívida de R$ 250 bilhões, em torno de 5% do
PIB, acompanhados por um aumento da relação dívida pública bruta/PIB
para 63,4% do PIB, por uma taxa de inflação de 6,41% e por um
surpreendente deficit em conta corrente de US$ 91 bilhões, 4,2% do PIB".
Faltou dizer que o crescimento, se for zero, será um bom resultado.
Passemos para outra ruína, a ética, e citemos outro colunista da Folha, Matias Spektor:
"Estima-se
que a roubalheira envolvendo cofres públicos tenha custado até 5% do
PIB só na última década. E quando Collor foi posto para fora, em 1992, o
índice de confiança nos políticos era de 31%.
Treze anos depois, durante o mensalão, era de apenas 8%".
Spektor lembra que ainda está para ser contabilizado o pai de todos os escândalos, o "petrolão".
Digo
o pai de todos porque é o primeiro, pelo menos até onde vai minha
memória (que é de longo alcance), em que foram para a cadeia executivos
de grandes empresas.
Ou seja, é uma das primeiras vezes em que
são apanhados não apenas os corruptos de costume (em geral funcionários
públicos ou políticos) mas também os corruptores (o lado privado da
corrupção).
Nesse cenário, o que se poderia esperar da classe
dirigente seriam demonstrações de preocupação, a busca urgente de
respostas, providências capazes de estancar uma e outra sangria.
O que se viu, no entanto, neste domingo, foi o deboche.
Pelo
excelente relato de Bruno Boghossian, na festa da vitória de Eduardo
Cunha (ela, em si, já é um deboche), os dois principais articuladores
políticos do governo foram ridicularizados.
Aloizio Mercadante
(Casa Civil) foi chamado de Freddie Mercury, vocalista já morto do grupo
Queen, pelo seu bigode, ao passo que Pepe Vargas (Relações
Institucionais) virava Pepe Legal, o desastrado personagem de desenho
animado.
Quando o deboche se dá entre companheiros de base
governista, tem-se um retrato acabado da ruína política em que se
encontra a pátria amada.
Tudo somado, o fato é que três ruínas combinaram encontro neste fevereiro.
fonte avarandablogspot
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