Jornalista Andrade Junior

domingo, 14 de dezembro de 2014

Governo conseguiu institucionalizar a chantagem no Brasil

César Cavalcanti
Os jornais noticiaram que, depois de várias semanas de confrontos entre governo e oposição, o Congresso concluiu terça-feira a votação do projeto que permite ao governo federal fechar as contas deste ano, por meio de uma manobra fiscal. A medida impede que a presidente Dilma Rousseff eventualmente possa responder por crime de responsabilidade, como acusava a oposição, por descumprir a meta de superávit fiscal deste ano.
Todos sabem que não foi uma votação normal, porque a vitória do Planalto foi obtida mediante chantagem. Parece um absurdo, uma mentira, mas infelizmente é a verdade, porque o mais revoltante de tudo é que a presidente Dilma condicionou a aprovação desse projeto à liberação do pagamento das emendas individuais ao Orçamento, apresentadas por senadores e deputados.
Esta manobra antirrepublicana – deplorável, atentatória e, sobretudo, não ética – está materializada no vergonhoso Decreto nº 8.327, de 28 de novembro do ano em curso, que institucionaliza a chantagem oficial na administração pública brasileira.
CONGRESSO SE CURVOU
Foi mediante esse tipo de pressão que a chamada base aliada do governo, curvando-se ao desígnio imperial da presidente Dilma Rousseff, deu aval ao esdrúxulo projeto da mudança de critérios legais da Lei de Diretrizes Orçamentárias, e dessa forma cedeu à chantagem.
Esse repudiável episódio, em meio à corrupção desenfreada e ao avacalhamento dos métodos políticos, fez-me lembrar as palavras de Cícero, que se ajustam à atual realidade brasileira: “Oh, tempos, oh, costumes!”. De certo, diante da repulsa da opinião pública, dirão os senadores e os deputados da bancada “chapa branca” que não tiveram alternativa, pois agiram sob coerção do governo, já que, se não aprovassem o indecente projeto, suas emendas seriam desprezadas.
Por fim, seja como for, é digna de louvor a posição corajosa dos congressistas que votaram contra a barganha patrocinada pelo Palácio do Planalto. Pelo menos, ainda há alguns parlamentares que preservam a dignidade.





FONTE TRIBUNADAINTERNET

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