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11:47
ANDRADEJRJOR
Por Percival Puggina*
As cenas que
vi, com cercas e tapumes metálicos, faziam lembrar um campo de
concentração, onde as autoridades se protegiam no lado de dentro e a
população era mantida no lado de fora. Foi um Dia da Pátria em estilo
neopetista. Com efeito, durante décadas, o Partido dos Trabalhadores
vendeu-se como um partido popular e diferente dos tradicionais. Pé no
barro e cheiro de povo.Você lembra? Pois é, acabou.Não
preciso descrever, aqui, a vertiginosa ascensão social das lideranças
do partido. Quanto mais habilmente escalavam o pau de sebo da
prosperidade, mais tênue se tornava a relação do partido com a
sociedade. E à medida que se faziam conhecidas as escabrosas formas de
subvenção dos interesses partidários e pessoais do grupo governante e
seus associados, firmou-se a convicção de que o PT era um partido
diferente. Diferente demais.
Se formos
pesquisar além dos equívocos ideológicos, dos usos e abusos do populismo
e do patrimonialismo, das más companhias; se deixarmos de lado o
péssimo recrutamento dos próprios quadros entre setores corrompidos do
sindicalismo; se esquecermos o deslavado aparelhamento das instituições
de Estado e da administração pública, veremos um partido que se afogou
em banheira de champanhe. Sim, o borbulhante PT dos anos dourados, até a
segunda metade do governo Lula, acreditou que as vacas seriam sempre
gordas, os ventos favoráveis e o povo sempre parvo. Creu, o partido do
senhor Lula, que a China cresceria eternamente, que o petróleo jamais
perderia preço, que a política era um grande negócio. E vice-versa.
Convenceram-se, nossos governantes, de que o país enriquecera e de que
para acabar com a pobreza bastava, então, distribuir dinheiro aos
pobres. Ora, nem o mais piedoso pároco acredita nisso. Após 13 anos de
governo, o PT nada fez do que prometera. Encheu a banheira de champanhe e
afundou na miserável abundância dos anos de esbanjamento.
Surgiu, assim, a
governança em estilo neopetista. É uma governança que se esconde, que
não sai às ruas. Lula importou ao custo de R$ 28 bilhões o brinquedinho
da Copa de 2014. E não compareceu a um único jogo porque não quis se
expor ao que aconteceu com Dilma. É uma governança que cumpre a
solenidade do Sete de Setembro por dever de ofício, de cara amarrada,
que se oculta do povo, dos fatos, das notícias. O estilo neopetista não
dá entrevista, não fala à nação, se reúne nos porões e confabula. Dá a
vida por um grande acordo que o sustente. É uma governança que, embora
se esconda, cedo ou tarde acaba encontrada pelos oficiais de justiça.
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é
arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org,
colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de
Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e
Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
EXTRAÍDADEAVERDADESUFOCADA
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