por Hélio Schwartsman Folha de São Paulo
Nunca se deve desprezar o poder da caneta presidencial, mas, pelo menos
por ora, o governo passa a sensação de ter acabado. Ele apenas reage –e
em geral mal– às situações que lhe são impostas pelas investigações da
Lava Jato, pelos estripulias de parlamentares da base aliada, pelas
trapalhadas internas. No momento, é difícil imaginar que possa vir do
Planalto uma iniciativa capaz de desanuviar o cenário político e começar
a reaprumar a economia.
Isso significa que a bola está com a oposição. Ela precisa definir o
quanto antes se vai tentar aprovar o impeachment da presidente ou se vai
apostar no desgaste contínuo do PT. A segunda alternativa exige uma
competência que não sei se os tucanos e seus aliados possuem.
Eles precisariam dar ao governo oxigênio suficiente não apenas para que
Dilma Rousseff se equilibre na Presidência ao longo dos próximos três
anos e meio –o que a essa altura parece uma eternidade–, como também
para que a economia não se deteriore ainda mais, hipótese em que
tornariam muito mais difícil a situação de quem assumir o poder em 2018.
Dado que, pela lógica, os oposicionistas devem achar que vencerão o
próximo pleito, não fazer nada agora para aliviar o nó fiscal do Estado
equivaleria a dar um tiro no pé.
Apesar das incertezas embutidas na manutenção de Dilma, esse ainda me
parece o melhor caminho. Não que o impeachment seja ilegítimo. Ele,
afinal, está previsto na Constituição. É que, na linha do que defendia o
filósofo Karl Popper, penso que a democracia avança mais quando a
sociedade tem a chance de identificar ideias erradas e eliminá-las pelo
voto. Afastar Dilma agora introduziria enorme confusão nesse processo.
Permitiria ao PT não só tentar furtar-se à responsabilidade por seus
erros como ainda daria ao partido o discurso antiausteridade no qual ele
se sente tão confortável. Aí estaríamos autorizando o estelionato
deposicional.
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