editorial da Folha de São Paulo
A convenção nacional do PSDB, realizada em Brasília no domingo (5),
deu-se em momento político bastante delicado. De um lado, alastra-se a
impressão de que o governo Dilma Rousseff (PT) se aproxima de crise
terminal. De outro, não parece conveniente aos principais líderes
tucanos a tarefa de assumir, desde já, a defesa aberta de um impeachment
da presidente.
Mas qual impeachment? Qual renúncia? Como fixar com clareza o que é
defesa legítima de uma cassação e o que pode surgir como conhecida
histeria golpista?
Para quando, aliás, o eventual impeachment? O quanto antes? Ou depois de
processo mais longo? Ou, quem sabe, o mais interessante seja apostar no
parlamentarismo?
As três hipóteses teriam, respectivamente, a preferência do senador
Aécio Neves (MG), do governador Geraldo Alckmin (SP) e do senador José
Serra (SP).
No caso do mineiro, a convocação de novas eleições em curto lapso de
tempo traria para sua candidatura a vantagem do "recall", do lastro que
sua campanha recente terá deixado na memória popular.
Para a postulação de Alckmin, contudo, o desgaste de Dilma não
precisaria ter desfecho tão imediato, ao passo que, para Serra, haverá
de ser mais sedutora a possibilidade de um acordo em que a ascensão do
vice Michel Temer (PMDB) se acompanhasse da escolha de um
primeiro-ministro do PSDB, numa grande coalizão nacional.
Nenhuma dessas hipóteses, todavia, parece concreta. O futuro do governo
Dilma não está selado. Ainda há muito a ser definido nos dois planos em
que se joga o arriscado xadrez do impeachment.
As "pedaladas fiscais" serão julgadas pelo Tribunal de Contas da União
–e só depois, se houver a rejeição das contas do governo, o tema será
analisado pelo Congresso.
Quanto às investigações da Operação Lava Jato e suas repercussões sobre
as doações à campanha de Dilma, ainda parece faltar evidência decisiva
capaz de extinguir as esperanças dos petistas.
Terminaram sendo cautelosas, portanto, as manifestações dos principais
líderes tucanos no domingo. Sabe-se de que modo, no Congresso, o PSDB
tem se pautado pela irresponsabilidade do "quanto pior, melhor",
aprovando medidas que em sã consciência nenhum partido com vistas a
alcançar o poder poderia desejar.
Já no âmbito da alta estratégia de seus próceres –onde como sempre são
visíveis os sinais de desunião e as veleidades pessoais–, o tom se
caracteriza, felizmente, por um pouco mais de sensatez.
"Não cabe ao PSDB antecipar a saída de um presidente. Não somos
golpistas", disse Aécio Neves. Mas a sigla terá "coragem para fazer o
que precisa ser feito", disse o mesmo Aécio. Entre uma coisa e outra, o
PSDB espera –e um equilíbrio, ainda que precário, se mantém.
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