por Bernardo Mello Franco Folha de São Paulo
"Eu não vou, eu não vou. O meu recado é claro. Eu não vou cair". As duras declarações de Dilma Rousseff à Folha revelam
que a presidente finalmente entendeu que está com a cabeça a prêmio.
Não está claro, no entanto, se ela terá tempo e força suficientes para
reagir à ofensiva que ameaça derrubá-la.
Dilma está atrasada. Enquanto passeava de bicicleta por Brasília, os
adversários se aproximaram perigosamente do palácio. O PMDB, que
sustenta a coalizão governista, voltou a sabotá-la. O PSDB, que lidera a
oposição oficial, passou a falar abertamente em encurtar seu mandato.
A situação tomou contornos dramáticos na última semana. O vice Michel
Temer ameaçou devolver a coordenação política, e o ministro da Justiça,
José Eduardo Cardozo, ensaiou abandonar o cargo. O Planalto conseguiu
desarmar as duas bombas, mas não apresentou um plano objetivo para tirar
a presidente do buraco.
Dilma começou a esboçá-lo nesta segunda, em duas reuniões para mobilizar
a tropa. Entretanto, o gesto para romper o isolamento pode vir tarde
demais. O PMDB segue as ordens dos incendiários Renan Calheiros e
Eduardo Cunha, que conspiram abertamente contra a presidente. O PSD de
Gilberto Kassab tem ajudado a derrotar o governo em temas importantes,
como a maioridade penal.
Acuada, Dilma parece apostar apenas na própria biografia para se
defender. Na entrevista a Maria Cristina Frias, Valdo Cruz e Natuza
Nery, voltou a citar sua capacidade de resistência, testada nas prisões
da ditadura. "As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou",
disse. "Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar",
desafiou.
Para aliados próximos, só a vontade pessoal não salvará a presidente.
Nesta segunda, ela foi estimulada a atuar nos bastidores para evitar a
rejeição de suas contas no TCU e no Tribunal Superior Eleitoral.
Peemedebistas e tucanos tentam influenciar as duas cortes há semanas
para tentar apeá-la do poder.
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