MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE FOLHA DE SP
"Mais é menos", "A
simplicidade é o auge da sofisticação", "Nada é verdadeiro, exceto o que
é simples", "Simplicidade é a arte da expressão". Será?
A
exaltação da simplicidade é ubíqua. Porém, as virtudes da simplicidade
não são consenso entre os economistas. Há quem defenda a complexidade
como força motriz do crescimento e do desenvolvimento econômico.
A ideia não é nova, mas tem passado por uma repaginação interessante.
Em meados dos anos 2000, economistas da Universidade Harvard
desenvolveram o "Atlas da Complexidade", extensa base de dados cobrindo
mais de centena de países que exploram as relações entre a
diversificação e a sofisticação da pauta de produtos de determinada
economia e sua capacidade de crescimento.
A ideia é que, quanto
mais variados e sofisticados forem os bens e os serviços produzidos por
certo país, melhores as perspectivas de aumento da renda e do PIB ao
longo do tempo. Ou seja, países que confeccionam produtos diversos
intensivos em conhecimento e tecnologia –portanto, sofisticados– têm
maiores chances de crescer.
A ideia –simples?– é que produtos
mais sofisticados exigem maior investimento na qualificação do
trabalhador e dedicação das empresas de parte de suas atividades ao
desenvolvimento de novas tecnologias. Nada que teorias econômicas
tradicionais sobre comércio e relações de troca não tenham dito
anteriormente. Contudo, o que o "Atlas" de Ricardo Hausmann e outros faz
é medir tal complexidade para classificar países e afirmar algo
empírico sobre os rumos futuros do crescimento.
O mais recente
Regional Economic Outlook do FMI para a América Latina traz estudo
interessante sobre o "Atlas da Complexidade" e revelações sobre o
relativo atraso da América Latina, sobretudo quando comparada à Ásia,
região que produz bens e serviços sofisticados e cujas empresas estão
mais integradas às cadeias globais de valor.
O país
latino-americano mais bem colocado no "Atlas da Complexidade", cujos
dados cobrem o período 1995-2013, é o México. O México que promoveu
abertura significativa da economia a partir de meados dos anos 1990, com
o ingresso no Nafta, e cuja indústria continua a representar cerca de
18% do PIB, proporção que pouco variou ao longo das últimas duas
décadas.
Em 1995, México e Brasil estavam emparelhados na 28ª e
na 29ª posição, respectivamente, entre 120 países. Ou seja, duas das
maiores economias da América Latina estavam entre os 30 países de maior
complexidade econômica. De lá para cá, o Brasil caiu –pasme– 28 posições
em relação ao México.
Enquanto o México subiu da 28ª posição
para a 23ª em 2013, o Brasil caiu para a 51ª posição do ranking. O
motivo? Talvez o mais notável seja o comportamento da indústria de
transformação. Em 1995, ela correspondia a uns 20% do PIB nos dois
países. Em 2013, representava apenas 13% do PIB no Brasil.
Por
certo, há outros setores da economia tão capazes de sofisticação quanto a
indústria. Porém, a desindustrialização brasileira certamente não
contribuiu para que a pauta do país se tornasse mais complexa.
Como promover a complexidade? O diagnóstico do FMI é preciso: investindo
em infraestrutura e educação, abrindo a economia ao comércio e à
transferência tecnológica. Tudo aquilo que não temos feito há muitos
anos.





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