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22:23
ANDRADEJRJOR
JOSÉ PIO MARTINS GAZETA DO POVO

“Se a Petrobras é
eficiente, ela não precisa do monopólio; se é ineficiente, não o
merece”, costumava dizer o presidente Castelo Branco. Ele via acerto na
decisão de criar uma empresa estatal de petróleo, mas não via razão para
aprovar o monopólio e impedir que empresas privadas nacionais ou
estrangeiras atuassem no setor.
Ao criar a Petrobras em 1951,
Getúlio Vargas não queria uma empresa monopolista. Ele queria uma
estatal, mas sem monopólio. A proposta original enviada ao Congresso não
propunha o monopólio e admitia, inclusive, a participação estrangeira
na Petrobras. A emenda feita no Congresso introduziu a cláusula
monopolista, sob discursos inflamados dos que julgavam estar defendendo a
pátria, quando na verdade estavam condenando o país a seguir na
dependência do fornecimento externo.
A liberdade de ingresso
teria gerado quatro benefícios: A Petrobras seria submetida à competição
(o que seria bom para a própria estatal), haveria entrada de tecnologia
estrangeira, seriam atraídos capitais internacionais para o Brasil
(algo importante para uma nação pobre e carente de investidores) e seria
reduzida a dependência em relação ao petróleo importado.
Os
monopólios são de dois tipos. Os naturais, aqueles que dependem da rede
de distribuição tecnicamente impraticável de ser feita por várias
empresas, como é o caso da oferta de energia, água e esgoto. Esses são
justificáveis. E os monopólios legais, que dão a uma só empresa o
direito de explorar determinada atividade, protegendo-a da concorrência.
Neste caso, por não ser obrigada a competir, é impossível saber se a
empresa é eficiente ou não, além de ser uma proteção para o desperdício,
o atraso tecnológico e a corrupção.
O monopólio do petróleo foi
um erro, resultante da aliança entre militares nacionalistas,
intelectuais comunistas e políticos oportunistas, em uma mistura de
fanatismo ideológico e ignorância econômica. Nos anos 40, a implantação
da indústria nacional revelou o quanto o Brasil era dependente de
suprimentos externos. Aço, celulose, papel, produtos químicos, máquinas e
equipamentos eram importados, e a economia brasileira literalmente
paralisaria se não fossem os fornecimentos norte-americanos. Como
agravante, o país tinha fundamental dependência em relação ao petróleo
importado.
Produzir petróleo nacional era necessidade urgente,
não importando a origem dos capitais. Melhor seria produzir
internamente, ainda que por capitais estrangeiros, porquanto era extrema
a vulnerabilidade energética do Brasil, situação que preocupava o
próprio governo dos Estados Unidos. A fórmula racional teria sido
absorver investimentos e dividir riscos, que eram imensos no setor,
deixando os escassos capitais nacionais para atividades de menor risco e
remuneração certa.
O monopólio manteve o Brasil atrasado na
prospecção e retardou a autossuficiência. Em 1973, quando os preços do
barril explodiram, a Petrobras completava 22 anos com o país importando
75% do petróleo consumido internamente. O país, que era um pobre
dependente do suprimento externo, viu sua economia ser lançada em grave
crise que resultou na explosão da dívida externa, seguida de recessão e
desemprego.
A autossuficiência somente viria a ser alcançada após
45 anos da aprovação do monopólio, e só foi possível pela estagnação da
economia brasileira. Se a Petrobras tivesse de competir num mercado
concorrencial, a corrupção e o desperdício agora revelados teriam
lançado a empresa na insolvência econômica. Privá-la de competir fez mal
a ela própria e ao Brasil.
FONTE AVARANDABLOGSPOT
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