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08:09
ANDRADEJRJOR
EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

O consumidor que se
acostumou com o adicional de R$ 3 em cada 100 kWh que gastar não deve
achar que esse é o único preço que terá de pagar pelo erros do governo
no setor elétrico. É que a falta de água nos reservatórios é só mais um
motivo para os aumentos que vieram e para os que, ainda neste trimestre,
virão.
As trapalhadas do primeiro governo Dilma Rousseff no
setor elétrico foram o ponto de partida para a desarrumação geral que
deixou as concessionárias da geração em sérias dificuldades. Todos se
lembram da presidente anunciando, em rede de televisão, em setembro de
2012, que o governo havia promovido uma expressiva redução nas tarifas
de energia elétrica pagas por todos os brasileiros.
Tomada de
maneira inadequada e em momento inconveniente, a decisão, além de gerar
perda de caixa nas geradoras, estimulou o consumo, quando já eram claros
os sinais de que o país entrava em temporada de pouca chuva, da qual
não sabia a duração nem a intensidade. As mudanças fizeram parte de um
plano que incluiu a polêmica antecipação da renovação dos contratos de
concessão, fato que inibiu investimentos das concessionárias privadas e
constrangeu as estatais.
Foi nesse quadro que se agravou a crise
hídrica, forçando o acionamento quase total e permanente das usinas
térmicas. Essas usinas, por consumirem combustível fóssil (derivado de
petróleo), geram energia mais cara do que a das termelétricas. Por isso,
só devem ser usadas emergencialmente ou em caso de secas severas. Pego
desprevenido pela seca, o governo acionou as térmicas em vez que fazer
uma campanha de racionalização do consumo ou, até mesmo, um racionamento
administrado para afetar menos a população.
Depois de abusar da
crítica ao racionamento ocorrido entre julho de 2001 e fevereiro de
2002, no segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, o governo
Dilma Rousseff ficou refém desse discurso e jamais admitiu que o país
tem estado à beira de um apagão. Isso o impediu de agir racionalmente
ante a realidade da seca.
A necessidade de fazer um ajuste fiscal
severo para recolocar as contas públicas em nível aceitável impede o
governo de continuar varrendo o custo da desarrumação do setor elétrico
para debaixo de tapete do Tesouro Nacional, como fez até o ano passado.
Agora, tudo começa cair na conta do consumidor. A primeira alteração foi
a adoção das bandeiras tarifárias: verde se estiver tudo bem, amarela
como sinal de perigo, e vermelha, quando todos terão de pagar pela
diferença do custo da energia gerada pelas térmicas. O que o consumidor
precisa saber é que o governo já cogita aumentar a sobretaxa
representada pelas bandeiras. A vermelha pode subir 50% ou mesmo 100% já
no mês que vem.
A segunda notícia ruim para o consumidor veio
ontem. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu a temporada
2015 de ajustes de tarifas. Os percentuais assustam e contradizem o que o
novoministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, vinha dizendo. A
agência autorizou os primeiros reajustes do ano para seis
distribuidores, cinco de São Paulo e um da Paraíba. Em alguns casos, o
aumento superou os 40%, como o da CPFL Jaguari: 45,7% em média, com as
indústrias de maior pagando 48,85% a mais. É sempre possível dizer que a
pior energia é a que falta, mas o consumidor tem o direito de saber por
que razão vai pagar mais caro para a luz continuar acesa.
FONTE AVARANDABLOGSPOT
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