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A depreciação da moeda brasileira ante o dólar foi, possivelmente, o único legado positivo deixado pelo ex-ministro da Fazenda, diz jornal britânico
Mesmo com a deterioração dos fundamentos econômicos brasileiros, Guido
Mantega despede-se do Ministério da Fazenda com pelo menos uma tarefa
cumprida: a desvalorização do real. “O homem reconhecido por ter tornado
próprio o termo guerra cambial parecer ter vencido sua batalha para
enfraquecer a moeda brasileira em meio a uma onda de capital
especulativo estrangeiro”, ironizou o jornal britânico Financial Times (FT).
O real teve desvalorização de 12,69% ante
o dólar em 2014, consolidando o quarto ano consecutivo de queda.
Atualmente a moeda americana é negociada perto dos 2,70 reais, em
comparação com o intervalo entre 1,50 e 1,60 reais vistos em 2011. Em
2015, a previsão é de que a moeda brasileira mantenha o mesmo
comportamento, com o possível aumento das taxas de juros nos Estados
Unidos e a redução gradual da atuação do Banco Central (BC) brasileiro
no mercado de câmbio.
Apesar disso, analistas consultados pelo FT continuam céticos em relação
à política econômica de Mantega. O diretor-gerente da agência de
classificação de risco Fitch, Joe Bormann, explica que mesmo com o
aumento de 70% da inflação, o real se desvalorizou pouco nos últimos dez
anos. Com isso as exportações brasileiras perderam competitividade e a
demanda por importação aumentou, o que comprometeu especialmente as
indústrias siderúrgicas e automotivas.
“Se ele não venceu de fato a guerra cambial, pelo menos terá um tempo
livre para tirar vantagem do real forte e fazer umas compras em Nova
York. Mas é melhor ir logo antes que seu sucessor, Joaquim Levy, e sua
nova equipe, terminem o trabalho por ele”, concluiu a publicação
britânica.
fonte rota2014





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