Roberto de Guimarães Carvalho
Almirante de Esquadra, ex Comandante da Marinha no primeiro governo Lula
Caros amigos,
Em e-mail anterior recomendei que deveríamos nos preparar para mau tempo. Pois bem, o mau tempo já chegou.
O
famigerado relatório da denominada Comissão da Verdade, recentemente
divulgado, levou algumas pessoas às lágrimas. Quanta falsidade.
O
relatório lista dezenas de nomes de pessoas íntegras e honradas, como
se criminosos fossem. Algumas delas, pelo menos para mim, sempre
serviram de exemplos que procurei seguir na minha carreira, e não é este
relatório mal intensionado que me fará pensar diferente.
Em
solidariedade a um dos citados telefonei para ele dizendo: "ser atacado
por esta gente é mais um elogio para a sua excelente folha de
serviços".
A
um outro, também por telefone, copiando algo que aprendi com os
aviadores navais falei simplesmente: "chefe, estou na sua ala".
Muitos
acham que o tal relatório é pura revanche. Concordo, mas apenas em
parte. Acho que ele é, também, fruto de um cuidadoso planejamento
que vem sendo executado já há alguns anos.
Ao
ser criada em novembro de 2011, a Comissão da Verdade tinha própositos
bem definidos. Ela deveria cuidar do direito à memória e à realidade
histórica buscando, em paralelo, a conciliação nacional. A moldura
temporal para o período a ser pesquisado ia de 1946 a 1985 e todos os
fatos deveriam ser verificados, independentemente da
preferência ideológica de quem os praticou, sem ficar apenas nos
denominados Agentes do Estado. Seus membros deveriam ser escolhidos de
forma que houvesse representantes das diferentes correntes envolvidas
visando, com isso, evitar a parcialidade das análises.
Tudo foi
propositadamente ignorado pelo governo. A moldura temporal foi
reduzida, passando a abranger o período de 1964 a 1985 e os membros
nomeados professavam, praticamente todos, a mesma ideologia de esquerda.
Ao decidir por conta própria estudar apenas um lado da história, o que
contrariava a Lei de sua criação, a Comissão Nacional da Verdade
torpedeou, de forma definitiva, a idéia da conciliação nacional. Da a
impressão que eles buscavam, isso sim, aumentar o ódio, e não conciliar.
E o governo nada fez para alterar isso, apesar de todos os alertas
lançados por diferentes setores da sociedade, inclusive os Clubes
Militares.
O
Foro de São Paulo, tão pouco conhecido pelos brasileiros, pois a mídia
extranhamente fala muito pouco sobre ele, propugna pela construção na
América Latina de uma espécie de conglomerado de países comunistas ou,
como eles gostam de se denominar agora, de socialistas. Para tal, o Foro
segue fielmente os ensinamentos de Gransci que prevê, entre outras
medidas, a demonização das polícias militares e, principalmente, das
Forças Armadas, em especial do Exército.
Em
síntese eles sabem, pois aprenderam isso em 1964, que apenas as Forças
Armadas poderão obstar o sonho da implantação de um governo comunista,
meta perseguida com tenacidade pelo atual governo. Para tal, é preciso, a
qualquer custo, minar a confiança que a nossa sociedade tem nas Forças
Armadas.
Este
famigerado relatório tem exatamente este propósito. Ao mesmo tempo em
que não cita nenhum terrorista, nem seus atos igualmente criminosos,
relaciona dezenas de chefes militares rotulando, todos eles, como
torturadores.
Querem
também revogar a Lei da Anistia, que é anterior à criação da Comissão
da Verdade e precede, também, a própria Constituição Federal de 1988,
que a manteve intacta. À propósito,
o próprio Supremo Tribunal Federal, em 2010, portanto antes da criação
da Comissão da Verdade, validou a Lei da Anistia.
Assim,
ao mesmo tempo em que tentam denegrir as Forças Armadas junto à
sociedade, procuram intimidar os militares mais jovens, mostrando que
qualquer reação deles, na eventualidade de uma nova tentativa de
implantação de um governo comunista poderá ter consequências muito
sérias para eles, como eles acham que estão fazendo agora com aqueles
que os derrotaram em 1964.
Isso tudo não é coincidência. É um pouco de revanche sim mas, sobretudo, é algo muito bem planejado.





0 comments:
Postar um comentário