Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense
Quando se olham os desembolsos orçamentários globais envolvendo as duas etapas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), chega-se à astronômica cifra de R$ 1,19 trilhão. Mais da metade desse montante, porém, foi destinada a empréstimos habitacionais subsidiados, como os do Minha Casa, Minha Vida, com R$ 578,5 bilhões.
“O Minha Casa, Minha Vida é praticamente um empreendimento privado. As empreiteiras apresentam o projeto à Caixa Econômica Federal (CEF) e, caso seja aprovado, vendem as unidades à população. O papel do governo nesse processo é apenas subsidiar a mensalidade para que ela se adeque ao orçamento da população mais carente”, contesta Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas. Para ele, a inclusão do Minha Casa, Minha Vida nos números é uma forma de mascarar o mau desempenho das obras de infraestrutura.
PRINCIPAL ENTRAVE
O economista especializado em administração pública José Matias-Pereira lembra que o investimento público, sobretudo em infraestrutura, sempre foi um dos principais entraves do país. “Apesar disso, o que se observa é um declínio constante na confiança depositada no governo, principalmente depois da crise do mensalão. O governo se propôs a pôr em marcha uma série de investimentos, mas não contava com uma máquina pública azeitada e organizada o suficiente para isso”, afirma.
Na avaliação dele, que é professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), “não houve o esforço necessário para tornar a administração mais ágil”. “No PAC, o que funciona realmente é o Minha Casa, Minha Vida. Só que esse programa tem um impacto muito pequeno do ponto de vista da estrutura produtiva do país”, completou.
Dilma Rousseff, apontada como a mãe do PAC, não conseguiu destravar esse processo ao longo dos últimos quatro anos. Além de todos os problemas técnicos, o governo sofre com a corrupção nas etapas de licitação e contratação — como explicitado pela Operação Lava-Jato.
No primeiro ano de mandato, a presidente fez uma faxina no Ministério dos Transportes e no Dnit, como recorda Gil Castelo Branco. “Os gestores que entraram para substituir os afastados naturalmente se retraíram, com medo de cometer irregularidades. Isso afetou drasticamente o ritmo de desembolso dos investimentos”, lembrou.
GASTOS CORRENTES
As dificuldades para alavancar o investimento ficam evidentes quando as cifras são avaliadas em relação ao conjunto das riquezas produzidas pelo país, o PIB. Entre 2011 e 2013, os investimentos do Orçamento da União e os das empresas estatais avançaram timidamente, de 3% para 3,32% do PIB.
Para efeito de comparação: nos três primeiros anos do segundo governo Lula, entre 2007 e 2009, o percentual cresceu de 2,2% para 3,19%. Ao longo dos três primeiros anos de Dilma, o investimento subiu a reboque das estatais: as empresas do governo saltaram de 1,9% do PIB, em 2011, para 2,3%, em 2013. No mesmo período, o investimento direto da União caiu de 1,01% do PIB para 0,98%
FONTE TRIBUNADAINTERNET.





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