Jornalista Andrade Junior

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

COMISSÃO NACIONAL DA VERGONHA


  Por Gen Ex  Armando Luiz Malan de Paiva Chaves
 Uma vez conhecido seu extenso relatório, a Comissão Nacional da Verdade deveria intitular-se Comissão Nacional da Vergonha. Não é a verdade que foi investigada nos trabalhos de seus integrantes. Sua conclusão é o resultado de comprometimento com ideologia que os faz submissos à visão do socialismo totalitário, aplicado, comandado, usufruído pelo Estado, e submete a sociedade a seus desígnios, interesses, benefícios coletivos e pessoais.
    Não foi a verdade que emergiu de suas investigações, longa de dois anos e meio. Foi a vergonha pública que impingiu a seus mais de trezentos denunciados, vivos que ainda podem contestá-la, mas falecidos que não têm mais voz para defender-se.
    Mais do que a vergonha individualizada, espargiu-a pela história nacional, acusando personalidades que brilharam no exercício de seus cargos, enlameando-lhes caráter, desempenho profissional, dedicação à Pátria, compromisso com a justiça, com o futuro do país e com a vida democrática.
    Nem por isso a mídia falada, escrita e televisada abriu espaços compatíveis para explorar e discutir o tema. Com raríssimas exceções, limitou-se a registrar a solenidade, as palavras e as lágrimas da Presidente. Sobre o absurdo do registro de nomes de personalidades acusadas, vivas e mortas, sem qualquer referência além dos cargos que ocuparam, inferindo apenas seu possível relacionamento com a suposta violência, nenhum comentário.
   É ridículo e irrisório, além de injusto e irreverente, acusar ex-Presidentes da República. Os anais da vida pública registraram sua obra e probidade: corrigiram desvios de conduta e de políticas, construíram novos patamares de desenvolvimento, levaram o país a destacada posição na economia mundial. Ainda assim, morreram tão pobres quanto eram antes da investidura.
    Outros nomes acusados, pouco ou nada conhecidos pela massa da população, permaneceriam incriminados sem qualquer repúdio se não fossem defendidos por quem os conheceu.
     Perto do nonagenário, participei de ações a partir de 31 de março de 1964 e, desde então acompanhei, como militar, a vida nacional, exercendo cargos de confiança, até o último posto da hierarquia. Na longa jornada, convivi com expoentes militares de alta patente e camaradas de minha geração. Embora todos mereçam, seria longo citar os muitos que receberam minha estima. Deixando aos vivos manifestação a seu critério, registro alguns já falecidos e neles faço o resgate de valor dos que não citei:
Presidente Emilio Garrastazu Médici
Presidente Ernesto Geisel.
Presidente João Figueiredo.
General Orlando Geisel
General Adhemar de Queirós
General Sylvio Frota
General Fernando Belfort Bethlem
General Amaury Kruel
General Antônio Carlos da S. Muricy
General Antônio Ferreira Marques
General Antônio Jorge Corrêa
Brigadeiro Délio Jardim de Mattos
Almirante Adalberto de Barros Nunes
General Bento José Bandeira de Mello
General Breno Borges Fortes
General Milton Tavares de Souza
General Antônio da Silva Campos
General Edison Boscacci Guedes
General Floriano Aguilar Chagas
General Mário Orlando Ribeiro Sampaio
General Iris Lustosa de Oliveira
Embaixador Manoel Pio Corrêa Jr
General Ernani Ayrosa da Silva
General Darcy Jardim de Mattos
Coronel Carlos Sérgio Torres
Coronel Cyro Guedes Etchegoyen
Coronel Flávio de Marco
Coronel José Luiz Coelho Neto
Coronel Hugo Caetano Coelho de Almeida
Coronel Ary Pereira de Carvalho
                                                      Brasília, 13 de dezembro de 2014    
                                                       Armando Luiz Malan de Paiva Chaves

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