editorial de O Globo
Entre as heranças malditas deixadas pelo lulopetismo para o governo do
presidente interino Michel Temer, uma das mais intrincadas é o
aparelhamento da máquina pública, executada com método pelo PT e aliados
no decorrer de 13 anos. Equívocos de política econômica podem ser
equacionados por meio de medidas corretas, mais ainda se houver apoio no
Congresso, como é o caso. Já o aparelhamento é impossível ser eliminado
de uma hora para outra.
Mas era preciso começar, e uma primeira medida correta foi a exoneração,
pelo ministro da Secretaria de Governo, Eliseu Padilha, do
diretor-presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Ricardo
Melo.
Caso exemplar de aparelhamento, a EBC, controladora da TV Brasil, rádio e
agência de notícia, fora convertida em instrumento de propaganda
lulopetista. A um custo anual de R$ 750 milhões, dinheiro que estaria
sendo várias vezes mais bem empregado se de fato a empresa se pautasse
pelo interesse público e não partidário.
E nem isto ela fazia bem, pois a audiência de seu veículo potencialmente
mais poderoso, a TV, é traço. Não alcança sequer a militância, servia
apenas para abrigar apaniguados. Na Europa e Estados Unidos há bons
exemplos do que é uma empresa pública de comunicação.
Os espaços existentes na máquina do Executivo e estatais à disposição do
governante de turno são generosos. Foram inclusive ampliados. Apenas os
cargos comissionados de remuneração mais elevada, os DAs, eram 18 mil
no final da gestão de FH e chegaram a 23 mil.
Costuma-se alegar que muitos servidores concursados ocupam estes postos.
Mas isso não significa que não haja entre eles militantes do partido. É
quase certo que aqueles que fizeram uma manifestação contra o novo
ministro da Educação, Mendonça Filho, na frente dele, no dia seguinte à
posse, eram servidores estáveis.
Há vários casos emblemáticos nesses tempos. Um deles, o do Ministério de
Desenvolvimento Agrário e Incra, onde representantes de organizações
sem terra têm passe livre. Inclusive, e prioritariamente, nos
respectivos orçamentos.
No momento, está em curso mais uma história típica patrocinada pelo
conhecido aparelho há muito tempo instalado na Secretaria de Patrimônio
da União (SPU).
Dominada pelo menos por parte do PT fluminense, ela se recusa a aceitar
determinações judiciais, do TCU e até do governo para que o Jardim
Botânico recupere toda a sua área, afinal em fase de legalização. A SPU
ainda tenta, com manobras, regularizar a propriedade de imóveis dentro
do JB, apesar da decisão contrária já tomada em várias instâncias.
Há, ainda, o aparelhamento com fins pecuniários, de corrupção, em que o
exemplo imbatível é o da Petrobras, mas não só, conforme tem sido
relatado pela Operação Lava-Jato.
O potencial de descalabros neste universo de cargos comissionados é enorme. Pois, ao todo, chegam à faixa de 100 mil.
O novo governo tem de se preocupar com esta infiltração gigantesca. Não
só devido ao aspecto financeiro, mas também por segurança, autoproteção,
pois cada aparelho mantido deverá funcionar com intenções de sabotar a
administração.
extraídaderota2014blogspot





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