editorial de O Globo
Maior atenção à operação da PF contra quadrilha que atuava na Receita pode ajudar a dar a ela a mesma eficiência do desmantelamento do petrolão
A Operação Lava-Jato, responsável por desbaratar o esquema lulopetista
de desfalques na Petrobras, com ramificações no setor elétrico, atrai a
atenção também no exterior. Com justificadas razões. Entre várias, o
fato de girar em torno da Petrobras, maior empresa brasileira, com ações
em Nova York e Europa, e ainda atingir políticos com assento no
Congresso e gente estrelada do PT. Além de ser uma ameaça em potencial à
presidente Dilma e ao ex-presidente Lula, este sob investigação,
devido, pelo menos, à proximidade com uma empreiteira do petrolão, a
Odebrecht.
As cifras mencionadas em delações premiadas são assombrosas. Mas há um
outro escândalo, em paralelo, no qual o volume de dinheiro também não é
desprezível. Trata-se de um caso que, não fosse o petrolão, causaria,
com frequência, reações na opinião pública semelhantes às provocadas
pela evolução da Lava-Jato. No centro deste esquema, estava o Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), instância administrativa da
Receita Federal responsável por julgar recursos de contribuintes contra
autos de infração e respectivas multas lavradas por fiscais do Erário. O
dinheiro em litígio no Carf é contabilizado às dezenas de bilhões de
reais.
Onde existe muito dinheiro em trânsito dentro do Estado — seja em
encomendas da Petrobras ou divergências entre grandes contribuintes
pessoas jurídicas e a Receita — haverá agentes da corrupção. O Carf não
escapou à regra, conforme foi revelado por uma operação da Polícia
Federal, batizada de “Zelotes” — seita judaica que combatia a cobrança
de impostos pelo romanos —, deflagrada em março, um ano depois do início
da Lava-Jato. Quando a PF e o Ministério Público foram a campo, já
havia um bom caminho andado em investigações. O Carf, constatou-se,
havia sido aparelhado por conselheiros articulados com escritórios de
“consultoria”, na verdade intermediários entre conselheiros corruptos e
empresas interessadas em pagar “por fora” a fim de ter o débito
tributário reduzido ou mesmo zerado. Negócio muito rentável para ambos.
Talvez uma atenção maior de todos a esse escândalo ajude a punir mais
corruptos e a recuperar mais dinheiro público surrupiado por quadrilhas
de colarinho branco, como na Lava-Jato. Além de vedar outro desvão no
Estado pelo qual escorregam enormes cifras para um esquema que rivaliza
com o tamanho do petrolão.
extraídaderota2014blogspot





0 comments:
Postar um comentário