por Carlos Heitor Cony Folha de São Paulo
Não faz tanto tempo assim, um time perdia três ou quatro partidas
seguidas, tirante a primeira, contra um dos grandes, as demais eram
equivalentes a jogos com Sampaio Correia, Figueirense e Avaí, as outras
poderiam ser desculpáveis. Os torcedores e a mídia esculhambavam o
técnico, a diretoria procurava uma substituição.
O paredro principal, o presidente do clube, vinha a público e garantia
que o técnico estava prestigiado, ninguém na diretoria pensava em
demiti-lo, era apenas uma fase ruim. Na semana seguinte, o técnico tão
prestigiado era demitido e contratado por um time do interior do Piauí.
Na semana que passou, o ministro da Fazenda teve uma reunião pesada com a presidente Dilma.
Devido à péssima situação do país, todos esperavam a exoneração do
titular, Joaquim Levy, tido e havido como o principal culpado pela
caótica recessão que atravessamos e que o próprio governo admite, mas
promete combater com firmeza e competência.
Alguns jornais, revistas e TV tinham matérias prontas, algumas assinadas
por colunistas de peso, trazendo inclusive o nome e as virtudes do
próximo encarregado das finanças do país, capaz de combater a recessão
que o próprio governo admite e lamenta, mas garante que vai acabar e que
voltaremos a uma Idade de Ouro que nem Ovídio ousou prever.
Eis que, terminada a reunião, um dos muitos cobras que dela participaram
garante com todas as letras que o ministro Joaquim Levy está "forte" e
nega que alguém pense em substituí-lo.
No futebol, quando um paredro declara que "o técnico continua
prestigiado" e que os problemas estão em fase de recuperação, todos
entendem que a diretoria se empenha em procurar outro técnico.
Por debaixo do pano, surgem até os prováveis substitutos que salvarão a lavoura do time e da pátria.
extraídaderota2014blogspot





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