por Ronaldo Caiado Folha de São Paulo
Existe uma diferença enorme entre descrever a dor e sentir a dor.
Descrever a dor, por mais que a gente tenha capacidade de interpretar,
jamais conseguirá retratar sua intensidade. Dor não se define, se sente e
se busca tratamento.
Nós relatamos os problemas e as perspectivas de agravamento do quadro
econômico-social, mas falhamos em conseguir transferir para a população
brasileira as consequências e o que ainda estava por vir do colapso
resultante desse governo. O brasileiro sente hoje a dor causada pelo
desemprego, inflação, perda de direitos, aumento da carga tributária e
da corrupção.
Agora vivemos a realidade como ela é. Junto à queda dos setores de
serviços e industrial, o último pilar da economia brasileira que ainda
mostrava musculatura para sobreviver aos desmandos do PT foi atingido. A
agropecuária já convive com escassez de crédito, com taxas mixadas
atingindo valores de mais de 20% ao ano e a explosão no preço de insumos
tabelados em dólar. Não há mais setor, região ou classe imune à crise.
Esta semana atestamos que o mundo já entende aquilo que nós assistimos
há tempos: a total incapacidade da presidente Dilma para governar o
país; a ausência de legitimidade para coordenar um projeto de governo; e
as atitudes descoordenadas de sua equipe, que adotou a política do
"Topa Tudo por Dinheiro" —desde recriar e aumentar impostos até
transformar a Receita Federal em lavanderia para repatriar dinheiro de
origem ilícita. E o que mais puder tirar do bolso do brasileiro para
tapar o rombo causado pelo PT.
Esse cenário foi diagnosticado pelas agências especializadas,
influenciando todo o mercado de investimentos internacionais. Não foi
preciso mais de oito meses de segundo mandato para entender o
descontrole fiscal do país que foi ocultado na campanha de 2014. O
descrédito de Dilma cresceu de forma ainda mais rápida com o
rebaixamento do grau de investimento do país para um grau especulativo.
O problema se estendeu para além do governo, atingindo também empresas públicas.
Esta semana, no entanto, podemos vislumbrar a primeira proposta concreta
de saída para essa crise. Se recentemente citei a indefinição de forças
políticas para atender aos anseios dos brasileiros, o passo mais
importante começou a ser dado pelo Congresso, onde deputados e senadores
instalaram um movimento coeso e suprapartidário Pró-Impeachment.
Teremos, a partir de agora, uma sintonia, um canal de comunicação com os
brasileiros. Iremos, por meio dessa colaboração, fundamentar a abertura
formal do pedido de impeachment de Dilma ao plenário da Câmara dos
Deputados, instituição que tem a prerrogativa constitucional de
autorizar o processo. O julgamento fica a cargo do Senado.
Esse gesto precisa estar ligado à articulação de todos os brasileiros.
Para tal, existe o abaixo-assinado no site do movimento que promete
mostrar a força expressiva da maioria dos brasileiros.
Ao mesmo tempo, é preciso sensibilizar e convencer cada parlamentar para
que venha a ingressar no movimento que tem como único objetivo
alforriar o povo brasileiro da corrupção, dos desmandos e da
incompetência. A crise não tem outro DNA senão o do modelo petista do
governo.
Esse 10 de setembro, data que marcou o início do movimento, passou a ser
um dia histórico. Conseguimos conciliar o clamor da população com ações
concretas. A governança da corrupção está com os dias contados.
extraídaderota2014blogspot





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