editorial da Folha de São Paulo
Em tempos normais, a notícia de que o Senado renovou a frota de veículos
à disposição de seus 81 legisladores já provocaria justificáveis
questionamentos –tendo meros dois anos de estrada, os carros
substituídos não poderiam ser considerados velhos.
A situação, naturalmente, torna-se muito pior quando o país enfrenta
grave crise econômica. Neste caso, a desfaçatez dos senadores desperta
sentimentos de irritação e perplexidade.
Verdade que os automóveis hoje são alugados. O contrato custou R$ 2,2
milhões/ano; a opção pela locação, implementada em 2011, proporcionou
economia anual de R$ 2,6 milhões pela extinção de gastos com compra,
manutenção e seguro.
Ótimo que tenham poupado tais despesas. Mas, no momento em que se impõem
aumento da carga tributária e cortes em programas sociais, como os
políticos pretendem defender que os cofres públicos sustentem essas
vantagens?
Afinal, qual seria a justificativa do privilégio? Não consta que
deputados federais tenham suas atividades comprometidas pela ausência de
veículos oficiais.
Não se imagina que a extinção dessa mordomia possa aliviar a crise econômica.
Mas, além do muito que haveria de simbólico na medida, deve-se lembrar que a lista de regalias é bem mais extensa.
O mimo automotivo se completa com 300 litros mensais de combustível.
Senadores também dispõem de celulares sem limite de gastos e compensação
ilimitada de despesas médicas, extensiva a cônjuges e dependentes até
21 anos –espantosamente, ex-senadores têm direito a R$ 33 mil de
reembolso de despesas médicas por ano.
Há mais: cinco passagens aéreas mensais de ida e volta para seus Estados
e uma sala reservada no aeroporto de Brasília, onde oito servidores
ajudam no embarque e no despacho das bagagens.
Em matéria de privilégios, a Câmara não fica atrás. No começo deste ano,
por exemplo, a Casa reajustou a verba de gabinete dos deputados para R$
92 mil por mês.
Abundam, ademais, despesas no mínimo questionáveis. Até julho foram
pagos R$ 50,6 milhões em horas extras para servidores devido a sessões
extraordinárias.
Eram realmente necessárias? Duas delas serviram para o presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), manobrar e reverter decisões tomadas
pouco antes pelo plenário.
Tudo somado, o Congresso custará R$ 9,2 bilhões neste ano. Como se vê,
há muito a economizar pela simples eliminação de absurdas mordomias e
racionalização de certos dispêndios.
O raciocínio sem dúvida se aplica igualmente aos três Poderes da
República, em todos os níveis da Federação. Passa da hora de as
autoridade brasileiras demonstrarem algum senso de responsabilidade com o
dinheiro do contribuinte.
extraídaderota2014blogspot





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