Dyelle
Menezes CONTAS ABERTAS
O aumento da conta de luz não afetou apenas as contas das famílias brasileiras. A União viu os gastos com energia elétrica aumentarem 40% neste ano. O governo federal possui gastos elevados com energia, já que é responsável pelo pagamento das contas de luz de todos os prédios do setor público federal.
Entre
janeiro e agosto deste ano, os valores repassados para manter energia elétrica
na administração pública somaram R$ 1,3 bilhão. No mesmo período do ano
passado, os dispêndios com energia somaram R$ 869,8 milhões. Os valores do
levantamento do Contas Abertas são correntes.
Alguns
ministérios tiveram responsabilidade significativa no aumento. É o caso do
Ministério da Integração Nacional. A conta de energia elétrica da Pasta cresceu
quase 200% no período, saltando de R$ 11,9 milhões em 2014 para R$ 35,6 milhões
neste ano. No Ministério da Fazenda os valores passaram de R$ 45,7 milhões para
R$ 90,3 milhões de um exercício para o outro, isto é, aumento de 98%.
Anunciado
pela Aneel, o subsídio concedido pelo Tesouro para reduzir as contas de luz foi
cortado neste ano. Em 2014, quando ainda eram mantidos os repasses do Tesouro
ao setor elétrico, o aumento do consumo de luz de um ano para o outro dos
prédios públicos da União foi pequeno. A diferença dos gastos de energia de
2013 para 2014 foi de apenas R$ 18,5 milhões, o que corresponde a alta de 1,3%.
O
Ministério da Educação lidera o ranking de gastos nos primeiros oito meses do
ano. Ao todo, R$ 341,5 milhões foram desembolsados pela Pasta com esse tipo de
despesa. Além da administração central localizada em Brasília, o valor inclui
pagamento de energia para 63 universidades federais e 40 institutos técnicos de
ensino médio. No mesmo período do ano passado R$ 286,7 milhões foram desembolsados
pela Educação.
Em
segundo lugar no pódio está o Ministério da Defesa com a conta de R$ 268
milhões. A soma abrange todos as unidades das Forças Armadas na Marinha,
Exército e Aeronáutica. No exercício anterior, R$ 193,6 milhões foram
desembolsados com energia elétrica. O terceiro colocado é o Ministério da
Saúde, com uma conta de luz de R$ 98,4 milhões em 2015.
O
especialista em energia e professor da Unicamp, Gilberto Januzzi afirmou que
era previsível o impacto já no começo de 2015. “O governo federal deveria ser o
primeiro interessado em promover redução de consumo de energia”, comentou.
Segundo o
professor, a administração detém conhecimento para promover a economia, como
construções mais sustentáveis, auditorias energéticas em prédios e equipamentos
mais eficientes, mas faltam lideranças para implementar tais ações de maneira
ordenada e organizada.
“A tarifa
mais alta gera impacto direto nos custos de manutenção de escolas, prédios,
hospitais e de todo setor público. Deveria-se, então, promover eficiência
energética. Mas há muito discurso e pouca pratica,” opina ele.
Aumento
da tarifa energética
Em 2013,
o Tesouro Nacional assumiu parte dos encargos de custeio de energia elétrica
para que um pacote de redução das contas de luz entrasse em vigor. Contudo, no
começo do ano, a Presidente Dilma autorizou a Aneel a desmontar o pacote já
neste mês, contrariando promessas da campanha eleitoral.
Anteriormente,
a previsão orçamentária do governo era de um aporte orçamentário de R$ 9
bilhões ao fundo setorial Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que banca
os subsídios e os programas sociais. No ano passado, por exemplo, o Tesouro
aportou R$ 10,5 bilhões ao setor e a CDE totalizou gastos de R$ 12,1 bilhões.
Em 2013, o aporte foi de R$ 9 bilhões, e as despesas do fundo chegaram a R$
19,3 bilhões.
Sendo
assim, como o Tesouro não mais subsidia o fundo, todos os gastos voltarão a ser
repassados à tarifa paga pelo consumidor. Apesar do corte, o governo garantiu
que as subvenções para a população de baixa renda e aos produtores de carvão,
além do Programa Luz para Todos, não serão afetadas.
Outro
lado
O
Ministério da Fazenda justificou ao Contas Abertas que a pesquisa realizada,,
considerou o Ministério da Fazenda como órgão superior, tendo sido
contabilizadas despesas de entidades e empresas vinculadas (Casa da Moeda,
SERPRO, Banco Central do Brasil, Fundo Constitucional do DF, SUSEP e CVM). A
Pasta informou que, se consideradas apenas a administração direta do Ministério
da Fazenda, as mesmas despesas atingiram R$ 35,5 milhões entre janeiro e julho
de 2015, contra R$ 27,4 milhões do ano passado. “Dessa forma, o acréscimo de
despesas apurado no período foi da ordem de 29,56%, percentual bem abaixo do
aumento de tarifas de energia elétrica”, explica.
O
Ministério da Integração não respondeu ao Contas Abertas até o fechamento da
matéria.
EXTRAÍDADESITECONTASABERTAS





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