Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"É o concreto, estúpido!",

por Caio Blinder Com Blog do Caio Blinder - Veja

Obra da Odebrecht no Peru: luz no fim do túnel?
Corrupção é uma discussão que não tem nada de abstrata. Estão aí os pilares de investigacões, escândalos e provas no Brasil e no resto do mundo. O jornal Financial Times acaba de publicar um sólido e primoroso editorial mostrando algumas conexões.
O primor começa na primeira frase do texto: “Onde há concreto, há corrupção”. A frase tem fundações, afinal construção é uma indústria altamente suspeita no pagamento de suborno, conforme os estudos da organização Transparência Internacional. Trata-se de um negócio global na casa de US$ 8 trilhões e que deve crescer para US$ 15 trilhões em 2020. Que potencial para trambiques. Será que não existe teto para a corrupção?
O consolo é que a devassa de corrupção em tantas partes do mundo tem derrubado políticos e causado a implosão de governos. E o Financial Times salienta que a conexão concreto-corrupção é especialmente flagrante em países emergentes, onde a indústria de construção é mais frenética para trabalhar e corromper.
Na China, uma cruzada anticorrupção tem lugar depois de um boom de investimentos em infra-estrutura; na Rússia, na sequência de uma alta espetacular do consumo de cimento; no México, a mulher do presidente está metida em um escândalo de conflito de interesses envolvendo uma empreiteira que construiu a mansão do primeiro casal. E obviamente, temos o Brasil da Operacão Lava-Jato, com as delações premiadas e prisões do pessoal do CCC, Comando das Construtoras Corruptas.
Esta aí o exemplo imediato e explosivo da Guatemala. Sob pressão da sociedade civil e de um trabalho infatigável de procuradores, Otto Pérez Molina finalmente renunciou à presidência e será submetido a julgamento. A Guatemala quem sabe se mostre uma república de banana mais madura do que tantos outros países.
Na superfície, é um escândalo de suborno pago por importadores para se safarem de tarifas alfangedárias (o esquema era sistêmico). Indo mais fundo, a indústria de corrupção dá sustentação para a corrupção guatemalteca. Conforme um relatório da Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG, amparada pela ONU), metade do dinheiro de financiamento de campanha eleitoral no país procede de empreiteiras à caça de contratos de infra-estrutura.
A Guatemala precisou deste amparo internacional para combater a corrupção. Já o Brasil, como observa o Financial Times, tem pilares sólidos nas suas instituições judiciais e policiais para respaldar este combate à corrupção.
O cenário brasileiro hoje é de um edifício balança-mas-não-cai. No entanto, na esperança do Financial Times e dos setores decentes da sociedade brasileira, as investigações de corrupção a longo prazo deverão fortalecer o edifício da lei e atrair investimentos. Que as esperanças se concretizem.
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