Dyelle Menezes - Contas Abertas
Enquanto o governo federal tenta aumentar a receita, a dívida ativa da
União é de R$ 1,5 trilhão em 2015. O valor representa o que os cofres
públicos têm a receber, ou seja, o não pagamento de débitos tributários e
não tributários dentro dos prazos estabelecidos pela lei. A quantia é
50 vezes maior do que o rombo de R$ 30,5 bilhões anunciado pelo Poder
Executivo para o orçamento de 2016.
Parte do estoque em cobrança é proveniente de créditos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As multas
por infração à CLT, aplicadas pelas Superintendências Regionais do
Trabalho, e os débitos de natureza patrimonial, com origem nas
Superintendências Regionais do Patrimônio da União, também estão na
lista.
A cobrança é realizada em duas instâncias. A princípio, tenta-se
requisição amigável, administrativamente, por correspondência. Nessa
fase, o devedor pode tentar parcelar o valor. Caso o dinheiro não seja
recuperado nessa fase, a cobrança é realizada judicialmente.
A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) não pode executar os
créditos que estão com a exigibilidade suspensa, o que ocorre, por
exemplo, quando o contribuinte adere a um programa de parcelamento ou
quando oferece uma garantia no montante integral da dívida para
discuti-la judicialmente.
Dessa forma, resta a cobrança de dívidas que apresentam baixa
recuperabilidade, o que dificulta a redução do estoque da Dívida Ativa
da União (DAU). Atualmente, a provisão para perdas chegou a R$ 1,2
trilhão, ou seja, quase 80% do montante total de créditos inscritos na
dívida. Dessa forma, o governo só estima recuperar R$ 360,2 milhões.
Os valores fazem falta para o governo federal, que pode não fechar as
contas anuais novamente e já apresentou projeto orçamentário com déficit
para 2016. Entre as medidas para aumentar a receitas ainda neste ano, a
equipe econômica estuda a “venda” de parte da Dívida Ativa da União, o
que poderia render R$ 40 bilhões.
O modelo a ser adotado pela União é semelhante ao utilizado por alguns
Estados e municípios que, no entanto, vem sendo questionado pelo
Tribunal de Contas da União (TCU). No novo sistema, o governo vende ao
mercado o direito de recebimento que tem da dívida, mediante a
antecipação dos recursos. Não se sabe ainda, qual seria a taxa de
desconto sobre a dívida e que tipo de papel entraria na oferta.
Técnicos falam que a carteira poderia ser composta pela dívida já
pactuada e parcelada. De acordo com o jornal Valor Econômico, R$ 100
bilhões estão inscritos como crédito líquido e certo já confessado pelo
contribuinte.
Ao enviar o orçamento para o Congresso, o governo estimou arrecadar R$
37,3 bilhões com operações com ativos e concessões. Incluiu na lista o
“aperfeiçoamento e aumento da cobrança da dívida ativa da União”, que
contempla a criação do fundo creditório.
Dentro desse montante, estão previstas a venda de participações
acionárias em empresas, venda de imóveis e direitos de domínio da União,
o leilão da folha de pagamentos do governo e a ampliação das
concessões.
A avaliação na equipe econômica é que esse valor de quase R$ 40 bilhões é
conservador e deverá ser ultrapassado. Isso porque o governo não pode
ainda indicar que ativos serão vendidos para não desvalorizá-los.
A prefeitura de Belo Horizonte (MG) foi uma das primeiras a criarem um
Fdic lastreado em créditos da dívida ativa. O modelo foi seguido por
Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul e está sendo estudados por
outras prefeituras e governos estaduais, como a capital paulista e o
governo do Rio.
Para Aldemário Araújo Castro, ex-coordenador geral da Dívida Ativa da
União e funcionário de carreira da Procuradoria-Geral da Fazenda
Nacional, o que tem ocorrido é descaso com a PGFN. “O poder público tem
sonegado meios para a realização deste trabalho, como pessoal, apoio
administrativo e sistemas de informática. Assim, o resultado é aquém do
possível e do aceitável”, afirma.
Castro ressalta que, se a medida de “venda da dívida” for adotada,
perderá sentido manter um órgão que, mesmo com estrutura capenga e sem
condições adequadas de produzir, existe e custa ao poder público.
Segundo Castro, o que o governo federal pretende fazer é chamar a PGFN
de ineficiente e transferir a solução para alguém realizar a atividade.
“É uma manobra maquiavélica, de legalidade duvidosa”. De acordo com o
especialista, não pode se chamar de ineficiente um trabalho que não
possui meios para ser realizado.
Parecer
O TCU já que deu pareceres contrários a governos regionais. No final do
ano passado, o Tribunal mandou suspender a criação de um fundo no
Distrito Federal porque avaliou que se tratava de uma operação de
crédito, que são vetadas ao Executivo nos últimos 20 dias de mandato. Em
outro processo, o tribunal analisa também a regularidade do fundo
criado pela prefeitura de Belo Horizonte, mas ainda não há decisão final
sobre o caso.
extraídaderota2014blogspot





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