por Clóvis Rossi Folha de São Paulo
Não é novidade, mas sempre é importante e instrutivo quando se comprova
cientificamente o que diz a sabedoria convencional. O que diz a
sabedoria convencional, empiricamente?
Que corrupção e educação (na verdade, a falta dela) são dois dos problemas que mais embaçam a vida do brasileiro.
Pois agora o Fórum Econômico Mundial acaba de pôr ciência nessa
suposição, ao divulgar seu primeiro Relatório sobre Crescimento
Inclusivo e Desenvolvimento.
O relatório trata de sete áreas, subdivididas em várias outras: Educação
e Capacitação; Emprego e Trabalho; Construção de Ativos e
Empreendedorismo; Intermediação Financeira; Corrupção; Serviços Básicos e
Infraestutura; e Transferências Fiscais (mais exatamente: como o
sistema tributário contrabalança a desigualdade de renda sem minar o
crescimento?).
O Brasil e mais 25 países são listados como de renda média superior e a
comparação do relatório se faz exclusivamente entre nações da mesma
faixa.
Nesse campeonato —que equivaleria à série B do campeonato mundial da
economia e do desenvolvimento— o Brasil até que não se sai tão mal, ao
contrário do que ocorre em outros rankings em que os países mais ricos
também entram na disputa.
Diz o relatório, por exemplo, que "o Brasil se beneficia de um alto
nível de inclusão financeira, o melhor colocado nesta área entre todos
os países do mesmo grupo de renda".
No capítulo emprego, "o desemprego registrado é inferior ao muitos
outros países, embora o setor informal permaneça significativo, o que
drena potencial renda de impostos".
Na área da proteção social, o Fórum registra o conhecido "progresso na
proteção social em anos recentes, em particular por meio de programas de
transferência de renda".
Quer dizer: não somos um caso perdido, por mais que o humor do brasileiros hoje em dia diga majoritariamente o oposto.
Aí, chega-se aos quesitos realmente problemáticos. Em Educação, é o
vexame de sempre: o Brasil fica em 18º lugar entre os 20 países de sua
faixa de renda para os quais há dados que permitam comparação.
Os últimos lugares, aliás, ficam para a América Latina: de cima para baixo, Argentina, México, Uruguai, Brasil e Colômbia.
Desnecessário dizer que Educação é um ativo essencial para atingir o
objetivo do relatório, que é o de abrir uma discussão em profundidade
sobre como alcançar inclusão social sem prejudicar o crescimento.
Há uma segunda área aparentada com Educação e Capacitação em que o
Brasil vai igualmente mal: é no ambiente para a construção de ativos e
para o empreendedorismo.
O Brasil fica no penúltimo lugar entre os 25 países listados no relatório, sempre na mesma classe de renda.
Por fim, corrupção: o Brasil só está melhor do que a Venezuela, que é o
mais próximo de Estado falido que se tem nas Américas. Fica em 25º
lugar.
O ranking leva em conta não apenas a tolerância zero para propinas e
corrupção como também se há competição justa nos mercados de produtos e
de capitais.
É óbvio que a reiterada criação de cartéis para concorrências públicas
torna qualquer competição viciada e ajuda a entender a posição do Brasil
nesse quesito.
Parece evidente que, sem resolver os nós que emperram seu crescimento
com inclusão social, os ativos do país perdem totalmente seu brilho.
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