Com Blog do Sérgio Praça
O Brasil acaba de perder o
grau de investimento, consagrando o fracasso da política econômica
implementada desde que a presidente Dilma Rousseff tomou posse em 2011.
Quando este selo de “bom pagador” foi dado em abril de 2008, o governo
Lula jactou-se de finalmente tornar o país mundialmente respeitado.
As implicações econômicas desta decisão do mercado financeiro serão
imensas para o Brasil. Não vou tratar delas porque não sou economista.
Quanto às implicações políticas, há uma claríssima: o Brasil voltou a
ser um país instável.
Voltou a ser? Estou louco? Não. Desde o sucesso do Plano Real, em junho
de 1994, os brasileiros elegeram e reelegeram FHC e Lula, que mudaram a
Constituição, junto com os parlamentares, 64 vezes. Aperfeiçoaram nosso
sistema político e mudaram políticas públicas relevantes, privatizando
dinoussauros estatais (FHC) e transferindo renda para os mais pobres
(Lula).
Tudo isso foi feito com coalizões parlamentares estáveis,
ideologicamente homogêneas (FHC) ou heterogêneas (Lula), custando
ministérios, cargos de confiança, emendas orçamentárias e corrupção. O
custo podia ser alto, mas o sistema funcionava e inspirava confiança nos
financiadores externos de empresas brasileiras.
A confusão política de Dilma, tanto quanto suas escolhas econômicas, foi determinante para a perda do grau de investimento. Diversos estudos mostram que
a percepção sobre a estabilidade política de um país importa para que
ele seja bem avaliado por investidores. Quanto pior a impressão sobre a
capacidade de os políticos resolverem desafios, menor é a chance de o
país receber dinheiro estrangeiro.
A parte boa dos legados de FHC e Lula acaba de ir para o espaço.
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