PERCIVAL PUGGINA

Mas que conversa fiada essa do Rev. Federico Lombardi! Na condição de
porta-voz do Vaticano, afirmou que o projetista da excrescência, o
padre jesuíta Luis Espinal, concebera a escultura como "símbolo de
diálogo e compromisso para com a liberdade e o progresso para a
Bolívia". De fato, Espinal foi vítima das brutalidades do governo
ditatorial de Garcia Meza. A exemplo de muitos colegas seus em outros
países da região, brasileiros incluídos, o padre escultor era comunista.
Pretenderam, todos, combater um mal com outro mal maior. E ao assim
procederem entravam em desacordo com o ensinamento evangélico, com o
sacrifício de Cristo e ofendiam o sacrifício de centenas de milhares de
cristãos que, naqueles mesmos tempos de guerra fria, eram martirizados
em nome da foice e do martelo que Espinal cometeu a insensatez de
representar com a cruz. O crucifixo comunista, diferentemente do
que pretendeu sustentar o porta-voz do Vaticano, não adquire respeito
em virtude do seu autor ter sido assassinado. Aquele crucifixo causou
justa indignação entre as pessoas de bom senso, entre elas, ao que se
sabe, o próprio Francisco. Dizerem, como tenho lido, que ele já trazia
no peito aquele mesmo símbolo pendurado numa corrente boliviana que lhe
haviam enfiado no pescoço, sugere uma falsidade, a de havia coerência
entre os adereços do Papa e o cavalo de Troia ideológico que Morales lhe
entregou.
O episódio serve, também, para conhecermos melhor os
modos de agir, as estratégias e as convicções dos parceiros ideológicos
de nossos governantes, aqui no Brasil e no Foro de São Paulo.
EXTRAÍDADEPUGGINA.ORG
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