por Aécio Neves Folha de São Paulo
A retórica desconexa e o raciocínio enviesado da presidente Dilma
brindaram os brasileiros recentemente com o uso inapropriado de duas
palavras duras –delação e traição. Sobre a primeira nem há o que falar
–o instrumento da delação premiada é legal e está inserido nas normas
democráticas.
Quanto à traição, ainda que não se discuta a legitimidade da presidente
para tocar no assunto, afinal não se tem memória de um governante que
tenha traído tão profundamente os que nele acreditaram, é preciso anotar
a infelicidade da fala.
Basta dizer que ao comparar o senhor Ricardo Pessoa a Joaquim Silvério
dos Reis, a presidente terminou por comparar o ex-tesoureiro do PT João
Vaccari a Tiradentes, o que demonstra no mínimo o absurdo do pensamento.
Estamos vivendo um dos piores períodos de nossa história republicana. As
contas públicas, a inflação, a produção industrial, o mercado de
trabalho, as obras do PAC, nada resistiu ao monumental conjunto de erros
protagonizados pelo governo petista. À incompetência gerencial se soma o
oportunismo político, a miopia ideológica e o desapreço pela
transparência, para temos pronta a receita do caos. Eis o Brasil do PT.
É preciso, no entanto, reconhecer que o país tem hoje, a favor da
preservação da governabilidade, um sólido aparato institucional.
Instituições como o Congresso, o Ministério Público, o STF e as demais
instâncias do Judiciário atuam com independência e responsabilidade para
assegurar a plenitude do Estado de Direito e dos preceitos
constitucionais.
Esse é o avanço da democracia que devemos saudar e respeitar. Quando o
PT tenta interferir nas ações da Polícia Federal, o partido dá um
péssimo exemplo de como devem ser pautadas as relações institucionais no
país. Não há mais como calar a sociedade, muito menos suas instituições
representativas.
A verdade é que vivemos tempos ruins, agravados a cada dia pelo atual
governo, que mentiu e ainda mente, aumentando o índice de desconfiança
de empresários, investidores e trabalhadores.
É nesse contexto que o PSDB realizou no domingo (5) a sua convenção
nacional, reafirmando compromissos com os brasileiros. Em um encontro
repleto de emoção, líderes e militantes de todos os cantos do país
trouxeram a sua mobilização intransigente em favor da democracia, da
luta por um país mais justo e igualitário, do compromisso com a ética e o
interesse público.
A sociedade brasileira está ávida pela boa política. Os partidos da
oposição têm o apaixonante desafio de aprofundar a interlocução com a
população e responder ao enorme desejo de participação de milhões de
cidadãos mobilizados e indignados. É esse o caminho a trilhar, com
coerência, transparência e respeito, sem desvios ou concessões.
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