por Paulo Guedes O GLOBO
Gastos públicos e impostos disfuncionais
tornam o país o paraíso de corruptos e rentistas e o inferno de
empresários e trabalhadores
O rápido empobrecimento dessa nova classe média ainda emergente torna-se
uma ameaçadora realidade. A deterioração econômica fustiga, de um lado,
pela reaceleração inflacionária e, de outro, pelo agravamento da
recessão. Os trabalhadores acabam encurralados pela inflação, pelo
desemprego e pela desaceleração nos empréstimos que embalavam seus
sonhos de consumo e de aquisição da casa própria. A economia cobra com
juros suas duras lições. As transferências de renda e o endividamento
acelerado não conseguem sustentar a ampliação contínua do consumo de
baixa renda. A prosperidade dos trabalhadores depende do aumento de sua
produtividade, o que exige permanente acumulação de capital e
incessantes investimentos em educação.
A crise política agrava a crise econômica e por ela é realimentada. Com
instituições democráticas ainda em aperfeiçoamento, dependemos do
excepcional desempenho de uns poucos indivíduos. São notáveis os
exemplos de Joaquim Barbosa e Sergio Moro no Poder Judiciário. “Os
grandes eventos da História são determinados por muitos fatores, mas o
mais importante é sempre a qualidade das lideranças. Afortunadamente
para a América, a geração de políticos que emergiram para liderar as
colônias rumo à independência foi um dos mais formidáveis grupos de
homens da História: sensíveis, mentes abertas, corajosos, bem educados,
talentosos, maduros e dotados de visão de longo prazo”, celebrava o
historiador inglês Paul Johnson, em “Uma história do povo americano”
(1997). Nem foi preciso mencionar a precondição da honestidade ao
referir-se a Washington, Franklin, Jefferson, Hamilton, Madison e Adams.
No Brasil, o irresistível apelo da solidariedade arrastou-nos
compreensivelmente a uma hegemonia política social-democrata. Mas o
resultado de suas enormes limitações cognitivas e de sua obsoleta
plataforma foi o aprisionamento do país nesta armadilha de baixo
crescimento, inflação persistente e uma desconcertante degeneração da
política numa teia de corrupção resultante do excesso de gastos
públicos. Não falo das necessárias transferências de renda aos pobres,
mas sim dos gastos e impostos disfuncionais e abusivos que transformaram
o país no paraíso de corruptos e rentistas e no inferno de empresários e
trabalhadores.
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