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12:02
ANDRADEJRJOR
VINICIUS MOTA FOLHA DE SÃO PAULO

Premonitórias foram as
palavras do publicitário João Santana logo após a primeira eleição de
sua pupila Dilma Rousseff. Ela estaria fadada a ocupar "a cadeira da
rainha", uma lacuna na "mitologia política e sentimental brasileira".
A
profecia agora se cumpre. Como ocorre com o monarca no Reino Unido,
Dilma Segunda se senta no trono, mas não governa. Acalentou personificar
a força da mulher e das minorias, mas entregou o cetro a quatro homens
brancos, que farão o oposto do prometido na campanha.
Esse
arremedo de república (ou, caricaturalmente, de monarquia)
parlamentarista é a resultante não controlada nem planejada de um
processo político estrambótico, em meio à deterioração da economia e da
popularidade presidencial e à eclosão nas ruas de um movimento de
centro-direita.
O arranjo político deve, por um momento, estancar
a sangria em que se converteu a governabilidade nos últimos 90 dias. A
popularidade da presidente parou de piorar, há sinais de distensão no
Congresso, e a agenda de centro-esquerda do PT foi trocada por uma de
centro-direita, liberal na economia e conservadora nos costumes e na
distribuição de danos.
Desse modo o "governo de fato" se
sintoniza com o que parece ser o sentimento majoritário circunstancial
da sociedade. Amolda-se também ao tacão dos credores do governo e do
país, que exige recomposição mínima de equilíbrio financeiro.
Fruto
do improviso, esse balanço exótico de forças, que faz de Dilma uma
presidente-observadora, não apresenta resposta duradoura à crise. Uma
camada de gelo fino se cristalizou sobre um mar tumultuoso que continua a
agitar-se logo abaixo.
A degradação da renda e do emprego da
população apenas se inicia e veio para ficar por um longo tempo. O
escândalo da corrupção partidária ainda tem muitos cartuchos para
queimar. Faltará pão para saciar a fome de políticos vorazes.
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