por Percival Puggina
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Para quem gosta de cláusulas pétreas constitucionais, aí vai uma. Ela é tão relevante que os constituintes, ao relacionarem preceitos que não poderiam ser abolidos, puseram-na em primeiríssimo lugar. Refiro-me à forma federativa de Estado. Pois malgrado a primazia, apesar de agasalhados pelo rigor do preceito, Estados e municípios voltaram à condição de súditos de um poder imperial. Viraram baronatos desfigurados pelo absolutismo que a Casa reinante no Palácio do Planalto impõe. Ela age de forma tão desabrida que um de seus mais cobiçados e endinheirados ministérios (creia, leitor!) é o Ministério das ... Cidades! Pode haver algo menos federativo que um Ministério das Cidades?
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Há no Brasil certo contingente de formadores de opinião identificados como chapa-branca. Montaram tenda de negócios à sombra das tamareiras governamentais e ali prosperam. E há um número bem superior de outros que servem à causa pela causa, discretamente, ardilosamente. Estes, ainda mais do que os primeiros, pavimentaram o caminho do petismo ao poder com a propagação de ideias e bandeiras que multiplicavam o efeito das cartilhas. Foram assim até o dia 26 de outubro passado. Desde o dia 27, quando o cavalo começou a mancar, procuram nova montaria, mas no mesmo cercado ideológico. Prefiro os que permaneceram fieis.
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Com 12% de aprovação, não é a democracia que sustenta a presidente. É o Estado de Direito. Então pergunto: pode ele servir para proteção do governo que vemos e não para proteger a sociedade do governo? Hoje, quem ficar assistindo pela tevê não estará entregando aos azares as rédeas do país. Estará entregando, junto, a si e aos seus.
Especial para Zero Hora,
extraídadoportalpuggina.org





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