CARLOS CHAGAS
Política é como as nuvens, já dizia o saudoso Magalhães Pinto: a
gente olha, estão formando um elefante, para minutos depois parecerem um
navio. É claro que o quadro poderá mudar, até mesmo o atual governo
recuperar-se e o segundo mandato da sucessora dar certo, mas as
recentes referências do Lula não conduzem a esse resultado.
Sendo
assim, isto é, admitindo-se a possibilidade de o PT buscar outro
candidato, novas perguntas se colocam: quem, hoje, desponta como
favorito? A estrela de Aloísio Mercadante ameaçou brilhar, mas
ofuscou-se por obra e graça do próprio Lula. Jacques Wagner perde-se no
ministério da Defesa e aos demais petistas palacianos, hoje, falta
fôlego. A safra dos governadores do partido deixa a desejar, nem
Fernando Pimentel, de Minas, consegue emplacar.
Teriam os companheiros a humildade de aceitar uma opção fora de
seus quadros? No PMDB, Michel Temer surge como fiel aliado, ao contrário
de Eduardo Cunha, quase um adversário, mas que outro nome haverá a
considerar? Fora do PMDB, então, pior ainda. Não há presidenciáveis nas
legendas de apoio ao palácio do Planalto. Voltar-se o governo para as
oposições, nem que a vaca tussa.
Por falar nelas, as oposições, precisarão meditar muito entre Aécio
Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. A pole-position está com o
senador mineiro, ainda que os paulistas devam reivindicar a vez.
Faltou citar Marina Silva, mas é preciso, antes, que o seu novo partido
deslanche.
Em conclusão, salta aos olhos que se for mesmo para valer a
disposição de o Lula não concorrer, estará embolado o meio campo
sucessório. Quem sabe diante disso não ressurja a proposta do
parlamentarismo?
EXTRAÍDADOBLOGTRIBUNADAIMPRENSA





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