por Carlos Heitor Cony FOLHA DE SÃO PAULO
Na manifestação do último domingo (12), em São Paulo, vi em algumas
faixas, verdes e amarelas, amarradas na testa de duas jovens, duas
palavras terríveis: Basta! e Fora!
Por sinal, dois títulos dos editoriais do "Correio da Manhã" em 1964,
que foram considerados, inclusive por historiadores, a senha para a
deposição do presidente João Goulart e o golpe militar daquele ano.
Golpe logo transformado numa ditadura que durou 21 anos, que, além de
sufocar a liberdade de todo um povo, produziu mortes e torturas
violentas, desaparecimentos até hoje não explicados, tutela sobre a
Justiça, censura contra a imprensa e as artes em geral.
A situação atual poderia explicar o basta e o fora. Há uma insatisfação
generalizada, até mesmo uma irritação mais do que justificada pelo
governo presidido por dona Dilma, beneficiada por um partido
desmoralizado cujos chefes estão na cadeia, não por subversão mas por
corrupção.
Contudo, há uma certa precipitação no julgamento e na investigação dos
atos e fatos que geraram os dois principais escândalos políticos,
mensalão e petrolão, produzidos pelo governo petista representado por
dona Dilma e pelo ex-presidente Lula.
Pessoalmente, mesmo admitindo a precariedade das investigações,
inclusive das delações premiadas, acredito que a inocência de dona Dilma
é insustentável.
Tal como Getúlio Vargas, que em 1954 tardiamente descobriu que estava
atolado num "mar de lama", a atual presidente, depois de severa e isenta
investigação, poderá merecer a sugestão das duas moças que traziam na
testa o título dos dois editoriais do "Correio da Manhã" em 1964: Basta!
Fora!
Em tempo: costumo ser acusado de autor dos editoriais citados. Não é verdade.
EXTRAÍDADOBLOGROTA2014





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