skip to main |
skip to sidebar
21:54
ANDRADEJRJOR
ELIANE CANTANHÊDE O Estado de S. Paulo

Começa a ficar clara a
resposta a uma dúvida crucial do escândalo histórico da Petrobrás: o ovo
ou a galinha? Um cartel de empreiteiras aliciou políticos, ou partidos
do governo manipularam um cartel de empreiteiras? A Polícia Federal, o
Ministério Público e a Justiça Federal começam a desvendar o mistério
com o nome nada sutil da nova fase da Operação Lava Jato: A Origem.
O
início de tudo isso não foi um cartel de empresas desses que existe
desde sempre, nem foi uma corrupção, digamos, trivial. A verdadeira
origem da sangria da Petrobrás foi um esquema armado por partidos e
políticos no poder a partir de 2003.
Primeiro, a Lava Jato
prendeu doleiros, ex-diretores da Petrobrás e grandes executivos de
empreiteiras, deixando de lado os parlamentares, que têm o foro
privilegiado do Supremo Tribunal Federal. Comeu pelas bordas, até chegar
no ponto central, ou na "origem": os políticos.
Sem poderes para
botar a mão em senadores, deputados e governadores, a Justiça Federal
do Paraná chegou ao chamado "cerne da questão" por vias indiretas:
prendendo na sexta-feira três ex-deputados, ou seja, três políticos sem
mandato e sem foro privilegiado: André Vargas, ex-petista, Luiz Argôlo,
do Solidariedade, e Pedro Corrêa, o reincidente do PP, já preso pelo
mensalão.
Essas prisões vão definindo os sujeitos e compondo a
narrativa com calma e clareza, com princípio, meio, fim. Também ampliam o
raio de ação, que deixa de ser unicamente a Petrobrás e suas
contratadas, chega à Caixa Econômica Federal e atinge a própria
administração direta, com o Ministério da Saúde no foco.
Como
sempre, as quantias são de tirar o fôlego: R$ 40 milhões para cá, R$ 80
milhões para lá... De uma coisa não se pode acusar os bandidos de
colarinho branco no Brasil: não são nada modestos. Tudo é na casa de
milhões, senão bilhões.
Enquanto isso, a presidente Dilma
Rousseff investe na sua "agenda positiva" e é capaz de tirar fotos
fazendo coraçãozinho com as duas mãos e até de dizer que a Petrobrás
está uma beleza. Agora, além de entrega de casas populares, ela ganhou
de presente do Facebook o "Banda Larga para todos", muito importante,
aliás.
Bem, Dilma tem mesmo de correr atrás do prejuízo, dando
uma entrevista atrás da outra para a mídia estrangeira e encontrando-se
com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Panamá, para
marcar a viagem a Washington ainda neste semestre, tentar recuperar a
confiança, atrair investimentos e reabrir vias comerciais da maior
potência e do maior mercado do planeta. Não era sem tempo. E como o
Brasil anda precisando!
Isso remete a um regime parlamentarista.
Dilma como chefe de Estado, ou "chanceler", enquanto o vice Michel Temer
e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como chefes de governo, dividem
os dissabores da crise econômica e política e disputam as glórias de
primeiros-ministros.
Para Fernando Henrique Cardoso, a liderança
de Dilma "está abalada". Para Aécio Neves, a entrega da política para
Temer foi "renúncia branca". Mas não custa lembrar que o PSDB surgiu em
1988 com a bandeira do parlamentarismo e, nesse regime, quem cai não é o
presidente, não é Dilma.
Se o ajuste fiscal e a economia derem
com os burros n'água, Levy cai. Se a política explodir, Temer explode
junto. Mas a presidente - ou "rainha da Inglaterra", como definem os
mais ácidos - só renuncia se quiser ou se sofrer um impeachment à moda
presidencialista, o que parece muito improvável.
Dilma está
jogando nacos de poder às feras, mas não é dessas de renunciar. E, como
admitem gregos e troianos, oposicionistas e governistas, o impeachment
não depende só de Lula, PT, PMDB e muito menos só de PSDB, DEM e PPS.
Depende das ruas.
Segundo todas as previsões, as manifestações
deste domingo, 12 de abril de 2015, deverão ser bem menores do que as 15
de março. Mas são esses atos que dão luzes, ou rumos, ao governo, aos
políticos e aos analistas. Cabe observar. E aprender.
extraídadavarandablogspot
0 comments:
Postar um comentário