MUDA BRASIL VOTE 45
Gestores de investimentos — que ganham a vida avaliando e precificando
risco — dizem que nunca foi tão difícil saber o que fazer com seus
portfólios para se preparar para o day after da eleição do próximo domingo.
As visões de País quase antagônicas representadas por PT e PSDB e a
inédita polarização da sociedade, que ameaça levar o segundo turno para
um dramático cara ou coroa, aumentaram o nível de ansiedade e incerteza
dos gestores a patamares que lembram a crise de 2008.
A procura por rivotril está grande.
“Nunca vi uma situação tão difícil quanto essa,” diz um gestor. “O que a
gente passou em 2008 é fichinha perto do que a gente está passando
agora em termos da dificuldade de avaliar o risco. Em 2008, você tinha
alguns sinais de que havia uma crise a caminho e que te ajudavam a fazer
uma análise. A gente sabia que as coisas estavam relativamente caras e
que havia muito risco, e à medida que [os mercados] iam caindo, você
podia começar a comprar ações de empresas que não deveriam ser afetadas —
por exemplo, as pessoas não vão deixar de comprar comida ou usar
energia elétrica etc…
“Agora é um negócio infernal. Se o Aécio ganhar, você deve ver a Bovespa
abrindo entre 10% e 15% de alta na segunda-feira; e se a Dilma ganhar,
de 10% a 15% de baixa.”
Geralmente, gestores de fundos de ações mantêm em caixa entre 5% e 10%
dos recursos que administram, para poder honrar resgates de clientes.
Quando o gestor quer ser excessivamente cauteloso, mantém 20% em caixa. O
gestor da conversa acima disse que está com cerca de 30%.
A maioria dos gestores também está preocupada com o nível de ‘beta’ das
ações que carregam no portfólio. Beta é a sensibilidade de uma ação ao
movimentos (de alta ou de baixa) do mercado.
Empresas como BR Malls e BR Properties, por exemplo, têm um beta alto,
ou seja, para cada 1% de alta no índice Bovespa, essas ações podem subir
2%, 3% ou até 5%. Já outras empresas com fluxo de caixa mais previsível
e que dependem menos da taxa de juros, como por exemplo a AmBev, tendem
a subir menos na alta e cair menos na baixa, ou seja, têm um beta
menor.
O nível de beta afeta diretamente a performance de uma carteira. No
cenário atual, muitos gestores, além de manterem um nível de caixa
elevado, estão comprados em ações mais defensivas, portanto, de beta
baixo. Qual é o problema com isto? Se Aécio ganhar e o índice Bovespa
subir 15% em um ou dois dias, as carteiras desses gestores não subirão
tanto quanto o índice, o que deve afetar sua performance (e remuneração)
no ano.
Neste caso, os gestores que optaram pela cautela terão que explicar a
seus cotistas que não são pagos para adivinhar resultados eleitorais, e
sim para proteger o patrimônio dos clientes no cenário mais turvo desde
2008.
Os clientes inteligentes devem entender e elogiar esta postura. Num ano binário, um pouco deunderperformance não é vergonha para ninguém, mas agressividade inconsequente pode ser fatal.
FONTE ROTA2014





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