editorial do Estadão (o mar de lama de Dilma na Petrobras)
A Petrobras mais uma vez se vê envolvida em malfeitos. Agora, o Tribunal
de Contas da União (TCU) classifica como temerária a gestão pela
estatal das obras de construção do Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro (Comperj). Segundo o Dicionário Aurélio, temeridade é a "ousadia
imprudente ante um perigo quase certo". Imprudência na gestão daquela
que é nada mais nada menos que a terceira maior obra do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) e está estimada em US$ 47,7 bilhões -
uma cifra que, por si só, desaconselha qualquer flerte com a
imprudência.
O Comperj, cujas obras começaram em março de 2008, está localizado no
município de Itaboraí (RJ) e ocupa uma área de 45 km². Segundo a
estatal, o empreendimento tem como objetivo estratégico a expansão da
capacidade de refino da Petrobras para atender ao crescimento da demanda
de derivados no Brasil, como óleo diesel, nafta petroquímica, querosene
de aviação, coque e gás de cozinha. O importante objetivo do
empreendimento não foi suficiente, no entanto, para uma gestão prudente
das suas obras.
Segundo o relatório do TCU, a Petrobras não realizou uma análise técnica
capaz de identificar os riscos habituais em obras desse porte, como,
por exemplo, as dificuldades com licenciamentos ambientais e
desapropriações. Esse descuido gerou atrasos na execução do cronograma,
que geraram depois vultosos acréscimos nos valores iniciais dos
contratos, além de afetar as receitas da estatal. Segundo informa o
próprio site da Petrobrás, estima-se que a primeira refinaria do
complexo - cuja previsão inicial de entrada em operação era agosto de
2016 - terá capacidade para refino de 165 mil barris de petróleo por
dia. Já se vê quanto a empresa vai perdendo.
O TCU informa ainda que a falta de análise técnica na realização dos
contratos do Comperj gerou decisões pouco fundamentadas, o que - alerta o
tribunal - é sempre um ambiente fértil para procedimentos indevidos.
Ainda que não tenha apontado irregularidades propriamente ditas, o
relatório chama a atenção, por exemplo, para a contratação no valor de
R$ 3,8 bilhões para a construção da "Central de Desenvolvimento de
Plantas de Utilidades" sem que antes fosse feito qualquer processo
licitatório.
O relator da auditoria do TCU, ministro José Jorge, lembrou ainda que a
Petrobras - de forma similar ao que fez por ocasião da auditoria do TCU
relativa à compra da Refinaria de Pasadena - classificou, integralmente e
de forma genérica, como sigilosos todos os documentos entregues ao
tribunal referentes ao Comperj, sob a alegação de que as informações
nele contidas poderiam "representar vantagem competitiva a outros
agentes econômicos". No entanto, a Lei de Acesso à Informação considera
que a publicidade é o preceito geral e o sigilo, a exceção. Portanto, é
necessário fundamentar as razões para a classificação de cada documento,
o que não foi feito pela Petrobrás.
Como próximo passo, o TCU determinou que a Petrobras encaminhe em 15
dias ao tribunal informações detalhadas sobre todos os investimentos no
Comperj, incluindo os contratos de obras, fornecimentos e serviços.
"Entendo que a atuação do tribunal, nesse caso, deve ser imediata, ante
as circunstâncias em que se deu a contratação, pelos montantes
envolvidos e, principalmente, pelas notícias que têm sido veiculadas na
mídia acerca de superfaturamento nas obras desse empreendimento",
afirmou o ministro José Jorge.
Como se vê, toda prudência e diligência do TCU agora são poucas. Os
indícios de irregularidades que motivaram, no primeiro semestre, o
tribunal a iniciar a auditoria das obras do Comperj - cujo primeiro
relatório é agora publicado - ganharam outra dimensão. É que as obras do
Comperj - bem como as da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco - eram
tocadas por Paulo Roberto Costa, quando ele era diretor de abastecimento
da estatal. Segundo confessou Paulo Roberto, as empresas contratadas
para as obras pagaram comissão de 3% a políticos da base aliada do
governo, como PT, PMDB e PP, e a governadores dos Estados beneficiados
pelas obras da estatal.
Fica a pergunta: quando se poderá ver a estatal mais bem gerida e menos envolvida em corrupção?
FONTE ROTA2014





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