Francisco Vieira
Tenho pena da dona Renata, uma senhora pobre que teve uma filha há uns 15 dias no HRAN-Brasilia e teve que acomodar a menina recém-nascida em um canto do chão do hospital porque não tinha uma mísera cama ou berço. E isso, ao lado do esplendoroso estádio de futebol, cantado em verso e prosa pelo narrador fanático da Rede Globo. Por isso, não tenho pena dos problemas de saúde da presidente Dilma Rousseff.
Na verdade, eu quero é que ela sofra pelo mal que fez ao país, porque eu também tenho pena do Tio Queno, um idoso de oitenta e poucos anos, pessoa simples, vinda do interior da Bahia, que ficou meses procurando hospitais públicos com febre, dor no peito e catarro sanguinolento, e, quando conseguia atendimento, era sumariamente diagnosticado e medicado por pneumonia, quando na verdade estava com câncer de pulmão.
Duvido que tenham pedido uma simples chapa de raios-X.
FOI “INTERNADO”
Tio Queno chegou até mesmo a ser “internado” por semanas, eufemismo usado quando se “estoca” como um caixote um paciente em qualquer canto do hospital, com uma agulha de soro enfiada no braço, para morrer sem dar trabalho aos médicos e enfermeiros… Disseram que tomou “antibiótico” para combater a pneumonia, mas eu aposto que era apenas solução salina.
Como os parentes, desconfiaram do diagnóstico dos doutores, resolveram trazê-lo à Brasília e encaminhá-lo a um médico particular, que realizou os exames correto e diagnosticou a doença.
NA FILA DO SUS
Com o diagnóstico feito, mas com a falta de dinheiro, o idoso voltou à fila de espera dos hospitais públicos, desta vez aqui, em Brasília. Menos pior.
Como a fila não andava, nem aparecia vaga para a cirurgia, voltaram com o doente para os mesmos médicos particulares que fizeram o diagnóstico correto: Eles foram solidários: cobraram só pela cirurgia. Só de “mão-de-obra”, pois a operação seria (e foi feita) em um hospital público! E sem considerar a enorme fila!
Não se sabe como, talvez por milagre dos céus, em menos de uma semana apareceu vaga e ele foi submetido à “cirurgia”! Mal deu tempo dos parentes efetuarem o pagamento!
FALSA CIRURGIA
Os mercenários de branco só abriram o peito dele e depois fecharam, procedimento necessário apenas para justificar o recebimento do dinheiro. Já sabiam, desde que viram os exames, que seria uma grana fácil, pois nada mais poderia ser feito pelo Tio Queno…
Enquanto eu escrevo estas linhas, ele está em casa, entre o choro dos filhos e irmãos, tomando morfina, tossindo sangue, com dores terríveis e com a respiração sendo sufocada aos poucos pelo tumor e pelo edema produzido pelos açougueiros. Talvez não chegue no dia das mães…
Eu? Ter pena da Dilma?
EXTRAÍDADETRIBUNDADAINTERNERT





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