editorial de O Globo
Transcorria outubro de 2011, outono na Europa, quando uma triunfante presidente Dilma, ao visitar a sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, aconselhou o continente a buscar o crescimento e, assim, deixar de lado as receitas de ajuste fiscal, seguidas pelo bloco para superar aquele momento de sério desequilíbrio nas contas públicas e recessão, na esteira da crise mundial deflagrada a partir do estouro da bolha imobiliária americana, em fins de 2008.
O cacife da presidente para ditar regras com empáfia era a boa fase econômica do Brasil.
No ano anterior, o país crescera ambicionados 7% e se firmara de vez
nessas listas que bancos globais costumam fazer de estrelas em ascensão
na economia mundial. Havia quem já considerasse o Brasil candidato a
entrar no bloco dos países desenvolvidos num prazo não muito extenso,
para regozijo do lulopetismo.
Dilma aconselhou a Europa a seguir a receita de irresponsabilidade
fiscal que ela mesma, como ministra-chefe do Gabinete Civil, levara Lula
a adotar — sem muito esforço, certamente — já no segundo mandato dele.
Anabolizada, a economia brasileira elegera Dilma naquele 2010. Ela iria
fundo na aplicação da fórmula, levaria o Brasil a esta recessão
histórica e ao enfrentamento de sérios problemas fiscais, já esboçados
no final do seu primeiro mandato, porém escamoteados por maquiagens
contábeis, razão do processo de impeachment que deve afastá-la do
Planalto dentro de alguns dias.
A Europa, por óbvio, não seguiu o conselho de Dilma, e por isso
países-membros da UE têm conseguido se estabilizar. Surgem indicadores
positivos, mesmo que ainda faltem instituições no continente de uma
Federação de fato do ponto de vista fiscal, e isso torna o soerguimento
na zona do euro mais difícil. Nada, porém, comparável à enrascada em que
a heterodoxia lulopetista enfiou o Brasil.
A União Europeia informou que a zona do euro, com 19 países, cresceu
0,6% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2015
(0,5% nos 28 da UE). Com isso, o PIB do bloco do euro, de € 2,4
trilhões, voltou, enfim, ao mesmo nível de início de 2008, pouco antes
de explodir a crise mundial. Em bases anualizadas, a zona do euro
cresceu 2,2% — enquanto o PIB brasileiro cai a uma velocidade anual de
3,5%/4%, ou na faixa de 8% em dois anos, uma catástrofe.
Há pontos de interrogação em torno da recuperação europeia. Continuam a
existir riscos de deflação — em abril, os preços ao consumidor, em euro,
caíram 0,2%. E persistem as críticas ao conservadorismo fiscal alemão.
A comparação, porém, entre a testada ortodoxia europeia no combate à
recessão e a criatividade desenvolvimentista brasileira do “marco
macroeconômico” mostra o alto preço que se paga quando se tenta
administrar a economia com invencionices salvacionistas.
extraídaderota2014blogspot





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