VALENTINA DE BOTAS
Antes da fuga angustiante empreendida para o Brasil graças à coragem movida por indignação do diplomata Eduardo Saboya, que não ficou impune pela escolha moralmente correta, Molina, todos nos lembramos, viveu o drama e a humilhação de se confinar a um quarto de 20 metros quadrados na embaixada brasileira na Bolívia por 455 dias enquanto o governo brasileiro, na cumplicidade asquerosa com regimes asquerosos, ignorava os apelos do senador e do pessoal diplomático pelo salvo-conduto indispensável para que o senador viajasse, pois apenas a concessão de asilo já feita não bastava.
O crime do senador foi denunciar as relações do regime de Evo Morales com o narcotráfico. Enquanto isso, Adlene Hicheur, um cientista franco-argelino ligado à Al-Qaeda e condenado por terrorismo na França, entrou sem dificuldades no Brasil em 2013, vive no Rio de Janeiro e ganhou emprego na UFRJ, com salário mensal de 11 mil reais. Ambos, o boliviano e o franco-argelino, vivem cotidiano incerto de fugitivos. Aquele porque inocente, este porque culpado. No país governado pela escória, os brasileiros decentes constatamos envergonhados que Hicheur não tinha com o que se preocupar até sua história ser noticiada; Molina só tem chance à vida decente que busca se não for esquecido.
E o Brasil deixará de ser a escarradeira do mundo apenas quando se livrar da dinastia petista alinhada ao antissemitismo protuberante, ao antiamericanismo sempre bocó e a facínoras internacionais. Como o trabalho decente que os venezuelanos ensaiam e que os argentinos já iniciaram com a eleição de Macri, arejando moralmente os respectivos países, deixando-os mais leves também para voos na economia, sem o peso da roubalheira, do autoritarismo e da incompetência. Que os brasileiros decentes se apresentem para o mesmo trabalho.
EXTRAÍDADECOLUNADEAUGUSTONUNESOPINIAOVEJA





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